A internet e a estupidez humana

A humanidade tem ficado mais estúpida desde a popularização da internet?

A resposta é tanto “sim” como “não”.

Comecemos com o “não”.

É um fenômeno comum e recorrente em diversas culturas humanas achar que as gerações mais novas são mais rudes, mais mal-educadas, menos instruídas e menos intelectualizadas que as gerações mais antigas. Sempre que eu ouço alguém falar algo do naipe “antigamente se respeitava os mais velhos” me lembro das minhas aulas de grego clássico: não em apenas um, mas em diversos textos da época da guerra do Peloponeso (há dois milênios e meio), como por exemplo em muitas das peças de Aristofanes, se fala da corrupção dos jovens, que não respeitam mais os idosos, que não se interessam mais em aprender e que são mais fúteis e perdulários que a saudosa geração passada, essa sim composta de pessoas sábias e educadas.

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Como conversar com ETs

Este não é um protocolo detalhado de como se comunicar com seres de outros planetas, muito menos um guia ilustrado passo a passo de como fazê-lo. Antes disso, é uma proposta de estudo e uma defesa de uma das mais recentes áreas da biologia, a etologia cognitiva. Continuar lendo

Ha Ha Ha (Ou: Sobre o riso)

Se a inveja matasse, eu já teria tido algumas dezenas de mortes repentinas. Não estou falando de riqueza, mansões, carrões ou outros bens materiais, um imbecil qualquer pode ser um milionário; aliás, geralmente, a riqueza não está associada ao trabalho ou ao merecimento. Estou falando de talento, de criatividade. Milha mulher costuma dizer, quando vemos algum vídeo ou alguma arte plástica de tirar o fôlego, que certas pessoas são tão talentosas que fazem com que nós nos sintamos um nada, um inútil! Continuar lendo

“Mentira” e outras palavras bonitas

Tenho um grande prazer, cujas origens me escapam, de conhecer e de brincar com a etimologia. Não o nego, apesar de ter certas razões para tal. Contudo, ao custo de um esforço deliberado, não sou daqueles que se apegam ferrenhamente ao significado primeiro da palavra (se é que há tal coisa) e que não compreendem que as palavras cambiam. Essas vicissitudes são, na verdade, uma das características mais interessantes das línguas e das linguagens. Continuar lendo

A idade média é agora: uma pequena nota sobre gatos

Até meados do século XVIII praticamente não havia uma história natural ou, em termos mais modernos, um estudo da natureza em que seus elementos fossem considerados por si só, independente de alguma relação que pudessem ter com o ser humano. De forma geral, não apenas a existência da natureza como um todo era encarada por um ponto de vista extremamente antropocêntrico (os demais seres vivos existiam com o único propósito de servir ao ser humano), mas o próprio mundo da vida selvagem encontrava-se repleto de “imagens especulares para as relações humanas”, como nos diz Keith Thomas em seu “Man and natural world”. Enquanto as plantas eram imbuídas de assinaturas, entre os animais encontrávamos as mais variadas facetas dos comportamentos humanos. Cada animal simbolizava uma qualidade ou um defeito dos homens. Continuar lendo

Em defesa de um certo determinismo biológico

Por Zeus, não acredito que estou prestes a fazer isso! Irei mesmo defender um tipo de determinismo biológico? Já prevejo os comentários enfurecidos, uma vez que, em relação a certos tópicos e certos temas, apenas a opinião do establishment acadêmico é aceita, e todo o resto é anátema… Bem, dentro daquela ótica do “falem mal, mas falem de mim”, pelo menos o blog estaria recebendo algumas visitinhas extras. Continuar lendo

Seleção para o comportamento

Prolegômeno: Antes que os puristas da língua e gramáticos de plantão reclamem do título da presente nota (“quem seleciona seleciona algo”, dirão, “portanto é seleção de, e não seleção para”), a fórmula seleção para tem um sentido bem determinado em biologia evolutiva, conforme proposto por Sober. Esse, por sinal, pode ser o tema para uma nota futura.

Que muitas pessoas vivem de aparência não é novidade pra ninguém. Um infeliz exemplo disso é a triste condição de uma quantidade inimaginável de cães abandonados e em perfeitas condições para adoção, preteridos em favor de cães “de raça”, seja isso o que for (para quem não compreendeu o sarcasmo, eis uma nota a respeito), comprados em pet shops ou, absurdo dos absurdos, em puppy mills. Escolhendo o seu cão por critérios puramente estéticos, esquecem ou escolhem ignorar a principal característica dos cães, aquilo que tanto contribuiu para nossa relação com essa variedade de lobo: seu comportamento. Continuar lendo