Ha Ha Ha (Ou: Sobre o riso)

Se a inveja matasse, eu já teria tido algumas dezenas de mortes repentinas. Não estou falando de riqueza, mansões, carrões ou outros bens materiais, um imbecil qualquer pode ser um milionário; aliás, geralmente, a riqueza não está associada ao trabalho ou ao merecimento. Estou falando de talento, de criatividade. Milha mulher costuma dizer, quando vemos algum vídeo ou alguma arte plástica de tirar o fôlego, que certas pessoas são tão talentosas que fazem com que nós nos sintamos um nada, um inútil!

Em relação ao talento, não foram poucas as vezes que senti inveja do Umberto Eco. Até hoje me impressiona o fato de o primeiro romance que ele escreveu ter sido uma obra tão admirável e complexa como é O nome da rosa, publicado em 1980, e que, para mim, figura entre os melhores livros do século XX. Não se trata da primeira obra que o Umberto Eco escreveu, pois ele já houvera escrito diversos livros técnicos, entre eles o famoso Tratado geral de semiótica (mais difícil de entender que um livro de física quântica. Sem brincadeira), mas é a primeira ficção longa, o primeiro romance que ele escreveu. Como é que a primeira obra de um camarada pode, de cara, ser um livro dessa magnitude? Isso é um desestímulo para qualquer escritor novato!

A história de O nome da rosa, que vai do romance policial ao ensaio histórico, passando pela filosofia e pela psicologia, gira ao redor de um livro “assassino”. Trata-se do segundo livro da Poética, de Aristóteles, que trata da comédia e, sobretudo, do riso. Na realidade esse volume se perdeu, só nos resta a parte inicial da Poética. Eco imagina esse volume fantasioso guardado na biblioteca do monastério onde se desenrola a história de O nome da rosa, biblioteca que é um labirinto (ou um labirinto que é uma biblioteca). Aliás, convém lembrar – muita gente não sabe – que muito do que Eco escreve é claramente referência e homenagem ao argentino Jorge Luis Borges, outro camarada cujo talento me faz sentir um… deixa para lá. O labirinto da biblioteca é inspirado num conto de Borges, A biblioteca de Babel. O manuscrito, que dá origem à trama (aqui uma clara referência a Edgar Allan Poe e às camadas da Narrativa de Arthur Gordon Pym), é encontrado em Buenos Aires, cidade de Borges. O próprio bibliotecário cego, Jorge de Burgos, um dos personagens centrais, é uma homenagem a Jorge Borges (Burgos-Borges), já totalmente cego no fim da vida, devido a uma perda progressiva da visão.

Jorge de Burgos mantém o livro confinado em seu labirinto-biblioteca por discordar das opiniões heréticas de Aristóteles sobre o riso – opiniões que nunca chegamos a saber, pois depois de alguns dias de mortes misteriosas, tudo (livro, biblioteca, bibliotecário) é consumido numa imensa fogueira. William de Baskerville, o monge detetive e personagem principal da história, chega a pôr as mãos no livro, antes de seu destino trágico. O nome da rosa é um livro sobre o riso, ou, no mínimo, um livro sobre um livro sobre o riso. E os debates entre Jorge de Burgos e William de Baskervile, a respeito da natureza do riso, figuram entre as melhores passagens do livro de Eco.

Para William de Baskerville, um humanista avant la lettre, o riso está relacionado à bondade humana, à sua capacidade de amar, à simpatia. Já para Jorge de Burgos, ultra-moralista, defensor de uma vida a mais ascética e austera possível, o riso é a mais terrível fraqueza moral, um comportamento lascivo, que aproxima o homem dos macacos. Os dois chegam a debater se Jesus houvera jamais sorrido em sua vida: para Baskerville a resposta era sim, Jesus certamente ria; para Jorge de Burgos, imaginar que Jesus tenha dado sequer uma risada em toda a sua vida é uma heresia cabível de pena, e a pena não poderia ser outra: a morte na fogueira.

Felizmente, ninguém mais, nos dias de hoje, associa o riso à fraqueza moral, nem acha que o riso rebaixa o homem a uma condição bestial e selvagem. Todos nós rimos, e todos nós temos uma clara noção do papel social do riso e de seus efeitos, tanto psicológicos como fisiológicos.

Acontece que o conhecimento da função de uma estrutura ou de um comportamento, por mais perfeito e detalhado que esse conhecimento possa ser, não é suficiente para determinarmos as razões evolutivas que levaram ao surgimento daquela estrutura ou daquele comportamento. Já tive, aqui nesse blog, oportunidade de escrever sobre esse tema neste post. Em outras palavras, para compreendermos o cenário evolutivo em que o riso surgiu, não basta conhecermos a função atual do riso (conhecimento que, por sinal, poderia até mesmo nos enganar e nos guiar por um caminho incorreto), e uma das razões para isso é que as funções não são eternas, costumam mudar ao longo do tempo (o que chamamos de exaptação). E, para piorar ainda mais as coisas, comportamentos são eventualmente mais difíceis de serem estudados que estruturas físicas, e não é incomum pensarmos que um comportamento tem uma função quando, na verdade, sua função real é bem distinta. Deixe-me exemplificar isso com o caso do bocejo.

O bocejo leva a uma série de consequências fisiológicas, desde o aumento da oxigenação até uma redução na temperatura encefálica. Nada mais normal, portanto, que supor que a função do bocejo é aumentar a oxigenação do sangue, ou controlar a temperatura do cérebro, um órgão muito delicado nesse aspecto. Porém, pouca ou nenhuma dúvida resta de que o bocejo é uma forma de comunicação entre animais, uma forma de comunicação não verbal e, provavelmente, bem antiga filogeneticamente falando (isso porque o bocejo é um comportamento que compartilhamos com todos os outros mamíferos e talvez até mesmo com os outros amniotas). Assim, as consequências de um comportamento podem ter bem pouca relação com as funções daquele comportamento. A função é uma coisa, as consequências são outra coisa.

Mas, de acordo com o conceito de exaptação, mesmo que saibamos com precisão as funções de um comportamento, como o riso, não estamos autorizados a concluir que executar essa função foi a razão pela qual esse comportamento surgiu. Ou seja, “para que serve o riso” e “como o riso surgiu” são perguntas diferentes. Certamente a resposta de uma ajudará na resposta da outra, mas ainda assim são perguntas diferentes.

O riso é um dos comportamentos humanos mais facilmente reconhecido (fonte: Science Photo Library)

O riso é um dos comportamentos humanos mais facilmente reconhecidos (fonte: Science Photo Library)

Logo, para tentarmos responder como o riso surgiu, teremos que entrar no terreno pantanoso da especulação e da sugestão. Nada que já não seja familiar ao biólogo evolutivo, diga-se. E em se tratando de especulação, talvez nunca cheguemos a concluir que determinada hipótese é a hipótese correta, ou seja, talvez nunca tenhamos uma hipótese ascendendo ao status de teoria. Mas, mesmo que fiquemos para sempre atolados no lamaçal da especulação, há certas hipóteses mais bem feitas que outras. Há hipóteses que imediatamente consideramos como estúpidas e desmerecedoras de atenção, enquanto há hipóteses que consideramos tão interessantes que pensamos “se não ocorreu assim, ocorreu algo muito parecido com isso”!

E foi assim que, recentemente, me deparei com uma das melhores hipóteses (em minha humilde opinião) para explicar a origem evolutiva do riso. Como as boas hipóteses, a hipótese que apresentarei a seguir tem diversos méritos adicionais, entre eles explicar o riso em diferentes animais (boa parte dos mamíferos ri, não apenas o homem. Até mesmo ratos riem), explicar a natureza contagiosa do riso e explicar porque o riso é um som alto e explosivo.

A hipótese, elaborada em 1998 por Vilayanur Ramachandran (diretor do Center for Brain and Cognition, da University of California, em San Diego) é, segundo ele mesmo, a “melhor suposição” sobre o tema, mas de forma alguma a palavra definitiva. O artigo pode ser encontrado aqui neste link (mais uma vez, para quem não está atrás de uma paywall, como infelizmente eu estou).

A ideia básica é relativamente elementar: o riso é uma comunicação, uma comunicação pré-verbal, bem simples e clara. E o que ele comunica ao ouvinte?

Imagine que nós estejamos andando pela floresta, ou pela savana, ou em outro ambiente natural qualquer. Ouvimos um barulho no matagal, que pode ser apenas o vento, mas que pode ser um animal perigoso (uma onça na floresta amazônica, ou um leão na savana, etc…). Crer que se trata do vento e descobrir que se trata de uma onça ou de um leão é um erro que normalmente só se comete uma vez, e a seleção logicamente elimina os infelizes que cometerem esse erro. Mas crer que se trata de uma onça quando na verdade é o vento, apesar de não envolver risco de morte, é um comportamento desgastante e desnecessário. Assim, logo que eu percebo meu erro (supor que era uma leão, quando na verdade era apenas o vento) eu rio, e meu riso comunica aos outros membros do grupo o falso alarme, ou seja, deixa claro que não há perigo – era apenas o vento – e, dessa forma, todos relaxamos.

Essa hipótese (que o riso originalmente significava “relaxem, era um falso alarme”) é excelente por diversos aspectos. Primeiro, ela faz bastante sentido em sua lógica interna, e, se é que a coisa se deu realmente dessa forma, não vejo porque tal comportamento não teria sido mantido pela seleção natural. Além disso, ela explica a natureza explosiva e nada delicada do som da risada: o sinal tem que ser claro e audível. Aliás, o próprio fato do sinal ser nitidamente audível traz uma clara significação filosófica e está relacionado à descoberta do alarme ser falso: não é necessária cautela, uma vez que não há leão algum ali. Mais ainda, essa hipótese explica o fato do riso ser contagioso: num grupo social grande, o fim da tensão leva ao riso, e o fato do riso se espalhar ajuda a mostrar de forma indubitável, a todos do grupo, que se tratava do vento no matagal, e não de um leão à espreita.

Por fim, essa hipótese dá liberdade para que as risadas sejam diferentes, considerando diferentes espécies. Se o que interessa é a mensagem transmitida, a evolução ao acaso do sinal emitido e recebido pelo par emissor/receptor pode facilmente explicar que o riso é um “ha ha ha” para uma espécie (a nossa), ou um chiado para outra espécie, ou um grunhido agudo para uma terceira espécie, ou um arfar proposital para uma quarta espécie, etc. O que interessa é que os membros daquela espécie reconheçam o som como uma risada, e compreendam o que ela significa.

Por fim, devo deixar claro que essa hipótese não explica a ocorrência de risadas em situações mais complexas, como uma piada ou um trocadilho. Mas nem deveria: ela tenta explicar como e por que o riso surgiu. A partir de então, o riso foi se tornando cada vez mais complexo, produzido em situações cada vez mais distintas, servindo a diferentes funções sociais. Mesmo assim, segundo Ramachandran, o riso que sinaliza “falso alarme” ainda é bem comum entre nós: se uma pessoa, ao escorregar numa casca de banana, bate com a cabeça e morre, ninguém ri. Mas se a pessoa se levanta e sacode a poeira da roupa, nada tendo acontecido de mais grave, o riso que damos (apesar de ser uma falta de educação rir de quem escorrega) mostra aos outros pedestres “está tudo bem, não se preocupem com esse cara, ele não se machucou”.

18 comentários sobre “Ha Ha Ha (Ou: Sobre o riso)

  1. Essa ideia de que rimos como forma de expressar um alívio (ou que não há perigo) não me parece muito verossímil. Pode parecer pedantismo de minha parte duvidar de alguém de renome como Vilayanur Ramachandran, mas sua hipótese simplesmente não “cola”. Afinal, o máximo que eu (frise-se: eu) conseguiria expressar, após ver que o meu medo, na verdade, não se concretizava na forma de uma onça, mas de um simples vento, seria ou um suspiro de alívio, ou uma respiração ofegante, ou uma mão no peito, ou mesmo tudo isso junto (por que não?). Mas, convenhamos, dar uma boa risada da minha condição? Parece absurdo demais! É claro que: a) estou enxergando a situação sob uma lente mais moderna, em que não se enfrentam mais onças ou leões; b) trata-se de uma reação minha; e c) a hipótese de Ramachandran realmente é plausível sob o ponto de vista da evolução, mas… sei não. A verdade deve ser outra.

    • Olá, Bernardo, isso que você está fazendo é muito bem vindo do ponto de vista da ciência: duvidar, questionar.
      A hipótese do Ramachandran não é infalível, muto menos definitiva; ela tem vários pontos questionáveis. Mas, como falei, é a melhor das hipóteses existentes, as outras fazem menos sentido ainda.
      Quero alertar, porém, que você está imaginando o riso hoje em dia, enquanto a origem evolutiva do riso deve voltar a uma época anterior ao homem, anterior ao gênero Homo, anterior à separação homem/chimpanzé+bonobo, anterior mesmo ao surgimento dos símios. É nesse contexto que devemos analisar a hipótese do falso alarme. E, além disso, quero dizer que eu já experimentei, e várias vezes, vontade de rir por ter percebido que eu estava errado, por ter me preocupado desnecessariamente. mas, mesmo que o riso de alívio não existisse mais, isso não afetaria a adequação da hipótese.

  2. Não sou dessa área, mas, essa hipótese para mim parece fazer sentido, sim. Quando cessa a possibilidade de perigo, vai-se embora também a tensão interna do indivíduo. Isso altera a produção química no nosso organismo, certo? (neurotransmissores, hormônios): nosso corpo deixa de produzir as substâncias do stress (porque a tensão passou) e passa a produzir as substâncias de bem-estar, prazer (pelo alívio de não haver mais perigo). Então, qual a relação disso com a ‘ocorrência de risadas em situações mais complexas, como uma piada ou um trocadilho’? eu explicaria assim: (por favor, corrija se a besteira que eu estiver falando for muito grande; assim, posso aprender): por meio de nosso raciocínio podemos entender o significado da piada; esse entendimento da mensagem gera uma emoção/sensação de bem-estar e o cérebro inicia a produção daquela química toda relacionada ao prazer.
    Assumindo a hipótese que vc descreveu como correta, também posso realizar a seguinte inferência: com o passar do tempo (e muitas e muitas situações de ‘alarme falso’ seguidas de riso) acabou sendo construída em nossa mente uma relação aparente de causa e efeito (quase um efeito de condicionamento): toda vez que o perigo vai embora (e a sensação de bem estar chega), o indivíduo dá risada.
    Quando se ouve uma piada, nosso cérebro inicia a produção da mesma ‘química’ da situação ‘do alarme falso”, o que leva o nosso organismo a realizar o mesmo efeito: a risada. Poderia chamar isso de condicionamento? (obs.: considerando também que a pergunta é: por que ouvir uma piada nos leva ao riso? e não: por que ouvir uma piada gera em nós uma emoção de bem-estar? – porque é precisamente essa sensação de bem-estar que leva ao riso, e não a piada em si.). Será que tem algo a ver? ou viajei na maionese, rsrs? obrigada, abç.

    • Olá, Carla. O riso na atualidade é bem mais complexo, e não me aventurarei a falar sobre isso. Mas, sobre sua dúvida a respeito da relação piada/bem estar, há diversas boas literaturas disponíveis. Uma delas, apesar de eu não concordar com muitas das ideias psicanalíticas, é o livro O chiste e sua relação com o inconsciente, do Freud. É um livro antigo, vai completar 100 anos ano que vem, mas tem muitas relações interessantes.

  3. Olá! poderia, por favor, sugerir um site confiável, um glossário, para pesquisa de termos científicos? Por exemplo, tenho dúvida sobre o termo ‘epigenético’ e o post que eu fiz agora há pouco estaria considerando algo assim: um comportamento repetitivo pode mudar a expressão de um gene, e esta mudança é hereditária. Minha base foi este artigo que acabei de ler na The Economist (ou melhor, o que eu entendi dele, rs). Gosto muito desse assunto, se puder dar mais indicações de leitura, agradeço.
    What is epigenetics?
    http://www.economist.com/blogs/economist-explains/2013/07/economist-explains-7

    • Bem, isso depende da língua: inglês ou português? é bem difícil te indicar um site com termos científicos em geral, o que normalmente se encontra é um site com um glossário de genética, um site com um glossário de astrofísica, um site com um glossário de botânica e assim por diante. Mas, apesar de muita gente falar mal dele, o Wikipédia é bem confiável para a maior parte dos termos científicos. Claro que há erros, eu mesmo já vi alguns erros no wikipédia e os editei (o legal, e ao mesmo tempo perigoso, é que qualquer pessoa pode editar).
      Seu inglês é bom? você quer informações detalhadas ou gerais? Bem, antes que você responda, já ponho aqui um link da Science sobre epigenética:
      http://www.sciencemag.org/site/special/epigenetics/

      Abraço.

  4. Eu também não sou dessa área, mas achei bastante interessante a sua hipótese. Mas, veja, no próprio artigo diz-se que “epigenetic mechanisms do not, however, permanently alter the DNA sequence itself, and even those epigenetic changes which are inherited seem subsequently reversible“. Isso significa que dificilmente uma mudança dessa magnitude persistiria por tanto tempo, tal como hoje se verifica entre as pessoas (e na sua relação com o riso). O que você propõe é, basicamente, uma espécie de condicionamento herdado – não é? – , o que, para alguns (mais desatentos), seria lamarckismo, que o próprio artigo rejeita. Outra coisa: será que o nosso riso não é apenas uma questão cultural, embora, evidentemente, se observe a risada em outras espécies? Mas – reitero – eu, particularmente, não riria após o desaparecimento de uma tensão! Nem em filmes vemos esse tipo de comportamento…

    • Olá, Bernardo. Pois é, só espero que eu não esteja deixando ele ‘horrorizado’ com os meus comentários, rsrs. Essa é uma área onde é muito fácil se equivocar quanto aos conceitos e suas aplicações. Bem, mas como ele mesmo se propõem a esclarecer os neófitos como eu, rs, e quem sabe se aprendendo da maneira certa possamos todos multiplicar o conceito correto e deixar o mundo um pouco menos ‘confuso’,rs. Bernardo, concordo plenamente com vc quanto à conclusão do artigo da The Economist. Mas, acredito que é um assunto ainda em pesquisa (por isso talvez o autor tenha usado a palavra ‘seem’ na frase). Seria muito interessante se fosse confirmado que os nossos genes mudam devido ao ambiente e ainda mais, essa mudança ser hereditária, não é mesmo? Lamarck não estaria de todo errado? rs. No site da Wikipedia encontrei o texto abaixo, que dá um exemplo de alteração ao nível dos genes pelo ambiente e que é hereditária; ocorre com uns tipos de mariposa. Bem, sei que a Wikipedia é sempre uma primeira aproximação com o assunto, mas este texto traz também as referências. Tomara que o dono deste site aqui (Gerardo Furtado) possa nos indicar boas fontes de consulta (aos mais curiosinhos apesar de mais distraídos, rs). Um abraço,
      “ Epigenética en el desarrollo y plasticidad fenotípica
      Efectos dependientes de temperatura
      Mariposas: cambios en la coloración de las alas de acuerdo a la estación
      Diversas especies de mariposas cambian su coloración de acuerdo a las estaciones. Los cambios en coloración tienen ventajas funcionales, y por esta razón han evolucionado. Usualmente, el fenotipo de los meses cálidos de verano tiene colores claros en las alas, mientras el fenotipo de invierno muestra colores oscuros. (…) Los cambios en coloración parecen estar controlados transducción de señales del ambiente al genoma a través del sistema neuroendocrino. Señales del ambiente, como temperatura y longitud del día, son percibidas por los sistemas neurosensoriales del organismo. Estos luego pueden activar o desactivar la secreción de hormonas por el sistema endocrino. Las hormonas, a su vez, pueden regular la expresión génica, ya que pueden activar factores de transcripción.”

  5. Olá, Carla. No texto que você passou, não ficou clara, pra mim, a ideia de hereditariedade dos genes

    modificados. Leia este esclarecimento, da Universidade de Utah (http://learn.genetics.utah.edu/content/epigenetics/inheritance/), que pode, aliás, refutar facilmente sua hipótese: “The genome changes slowly, through the processes of random mutation and natural selection. It takes many generations for a genetic trait to become common in a population. The epigenome, on the other hand, can change rapidly in response to signals from the environment. And epigenetic changes can happen in many individuals at once. Through epigenetic inheritance, some of the experiences of the parents may pass to future generations“. Perceba que, apesar de as mudanças epigenéticas serem capazes de acontecer em vários indivíduos de uma vez só, o epigenoma pode mudar rapidamente em resposta aos sinais do ambiente, além de só algumas características poderem ser herdadas. Imagino ser difícil, como já disse, a risada permanecer por tanto tempo em nossa sociedade somente por causa de mecanismos epigenéticos. Fico, ainda, com a questão cultural.
    Ah, Gerardo: o riso, pelo que eu entendi, é um comportamento determinado geneticamente?

    • Olá,
      eu me perdi no meio da conversa de vocês: em nenhum momento eu falei sobre epigenética, e nem associei o surgimento do riso à epigenética.
      Respondendo à sua pergunta, o ato de rir é sim um comportamento geneticamente determinado, mas as situações que deflagram o riso são culturalmente determinadas (moduladas pelo ambiente). É como a fala: a capacidade de linguagem do homem é geneticamente determinada, e há regras gramaticais universais. A língua que se fala, por outro lado, é determinada pelo meio.

      • Bom, isso esclarece muita coisa! Com isso, até mesmo a hipótese de Ramachandran parece mais convincente (prometo parar de apedrejá-lo)! E a analogia com a linguagem foi excelente. Você deve ter percebido: eu estava desconfiando muito daquela sensação de alívio, etc., mas você a esclareceu aqui: “as situações que deflagram o riso são culturalmente determinadas“. Só agora caiu a ficha…! Sinto-me uma besta… Obrigado, enfim, por iluminar mais um pouco a minha cabeça. Quanto à epigenética, culpe a Carla, rs…

  6. Sim, assumo a culpa de ter ligado alhos com bugalhos, rs, me desculpem, rs….é que eu tinha lido naquela manhã o artigo da The Economist e achei esse assunto da epigenética tão interessante, que já fui relacionando as alterações químicas que acontecem durante o riso com uma possível “modificação genética e hereditária” devido à exposição de várias gerações a um ambiente de “falso alarme”, levando o nosso corpo a rir em qualquer situação semelhante de “alívio de stress”. Um comportamento(riso) mantido não somente pela seleção natural, mas, também , por uma alteração genética. Ok, como o Bernardo já me explicou, isso é Lamarck, loucura total, tá certo, eu tenho que para de fazer essas coisas…..então, vou ler o artigo que vc me mandou, Bernardo, obrigada pela indicação, e continuar lendo aqui os do Gerardo Furtado, quem sabe dia desses não sai um artigo sobre epigenética? Com o jeito fácil de traduzir assuntos tão complicados, certa seremos leitores bem atentos! abraços e obrigada,

    • Não, Carla!! De novo, não confunda alhos com bugalhos, rs! O que eu disse é que justamente para os mais desatentos aquele mecanismo da epigenética seria visto, pejorativamente, como lamarckismo, já rejeitado pelo próprio artigo. Entendeu? Eu quis dizer que o artigo da The Economist confirma a influência do meio ambiente sobre o epigenoma, e alguns provavelmente tachariam isso de lamarckismo. Mas, de qualquer maneira, não se sinta tão repreendida pela sua teoria. Ela fez sentido, sim. Em algum momento, fez, rs…

  7. Oi, Bernardo, o artigo (que tanto me inspirou) relata duas situações: a primeira é que os genes podem ser alterados pelo ‘comportamento’ do indivíduo; a segunda, é que essa alteração pode ser hereditária. Fiquei fascinada pela ideia, confesso….e vieram aqueles inevitáveis 5 minutos de bobeira e inventividade tudo junto: num estalo, e já estavam juntos a epigenética e a origem do riso (é preciso fugir dessas tentações, rs). Como o Gerardo Furtado já disse, talvez o assunto seja “um pouquinho” mais complexo do que isso, rs. A epigenética é um assunto que ainda deverá render muitas novidades (e o artigo que vc recomendou é bastante ilustrativo). Espero que possamos voltar a esse assunto mais vezes por aqui. Abraços,

  8. Nós que agradecemos, Gerardo. Um abraço, Bernardo, obrigada pela conversa, me ajudou bastante. Ler sobre a ciência será sempre a nossa motivação! inté o próximo post, abraços e obrigada,

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