Quantos nós?

Estava lendo, em um dia desses, o excelente e criativo “The ancestor’s tale: a pilgrimage to the dawn of life”, de Richard Dawkins. O título do livro, em português, é uma lástima: “A grande história da evolução”, com o evolução em letras garrafais; mais comercial, impossível. Bem, voltando ao assunto, defini-o como criativo devido à maneira como Dawkins estrutura seu livro: fazendo o percurso do tempo ao contrário, Dawkins parte do presente e peregrina para o passado, ao longo da grande filogenia da vida no planeta Terra. Conforme caminha, ele vai chegando aos nós (termo técnico para as ramificações em um cladograma, plural de nó. Não confundir com o pronome nós), onde outros peregrinos juntam-se à caravana; seu intuito é, ao fim da peregrinação, chegar à base da “árvore da vida”, ao último ancestral comum (LUCA, last universal common ancestor) de todos os seres vivos do planeta. Para quem não sabe, Dawkins se inspirou no “The Canterbury tales” de Chaucer. Continuar lendo

Incrível foto de dinossauros reais vivos!

O título deste post está correto, e não se trata de nenhuma armação. Eu irei de fato mostrar fotos de dinossauros reais vivos. Você, contudo, já supõe que irá se decepcionar, e isso é inevitável: as espécies de dinossauros que você esperava ver devem estar todas extintas há mais de 63 milhões de anos. As espécies que eu mostrarei costumam ser bem menores e, pelo fato de uma de suas características ser a capacidade de voar (mesmo aquelas que não voam descendem de ancestrais voadores), elas são muito mais leves e menos corpulentas. Bem, vamos à foto: Continuar lendo

Parecido e aparentado

Há certos pares de palavras que possuem a capacidade de nos confundir, não apenas por serem semelhantes morfologicamente, mas por terem significados quase iguais. Quase… Às vezes, as diferenças mais sutis são as mais importantes. Há vários exemplos desses pares, mas o fito desta presente e breve nota é discutir um que possui grande importância para a biologia evolutiva e para a sistemática filogenética. Trata-se do par parecido e aparentado. Continuar lendo

A distinção entre genético e hereditário

Em um artigo anterior, sobre seleção e transmissão cultural, afirmei que genético e hereditário não são sinônimos. Gostaria de me estender um pouco mais sobre esse tema.

Em vários ramos da ciência, principalmente nas ciências biológicas, não é nada incomum vermos os termos hereditário e genético tratados como sinônimos, utilizados nas mesmas situações e de forma perfeitamente intercambiável. Tecnicamente falando, contudo, essa liberdade não existe, e seu uso pode acarretar uma série de mal-entendidos, alguns definitivamente sérios. Na maioria dos casos, o hereditário (do latim heres, herdeiro) é também genético (a partir do grego γεννα, “família”), mas há situações em que o objeto, caráter ou fenômeno pode ser genético sem ser hereditário, e outras em que pode ser hereditário sem ser genético. Continuar lendo