Mudando sem mudar muita coisa…

Uma das conclusões que poderíamos ser levados a tomar depois de ler “A estrutura das revoluções científicas”, de Thomas Kuhn, é que, para um novo paradigma científico realmente se estabelecer, temos que esperar que todos os professores mais velhos morram e que sejam substituídos por professores mais novos, defensores do novo paradigma. É um exagero, admito. Mas não está muito longe da verdade, em relação a algumas áreas particulares da ciência. Continuar lendo

Quantos nós?

Estava lendo, em um dia desses, o excelente e criativo “The ancestor’s tale: a pilgrimage to the dawn of life”, de Richard Dawkins. O título do livro, em português, é uma lástima: “A grande história da evolução”, com o evolução em letras garrafais; mais comercial, impossível. Bem, voltando ao assunto, defini-o como criativo devido à maneira como Dawkins estrutura seu livro: fazendo o percurso do tempo ao contrário, Dawkins parte do presente e peregrina para o passado, ao longo da grande filogenia da vida no planeta Terra. Conforme caminha, ele vai chegando aos nós (termo técnico para as ramificações em um cladograma, plural de nó. Não confundir com o pronome nós), onde outros peregrinos juntam-se à caravana; seu intuito é, ao fim da peregrinação, chegar à base da “árvore da vida”, ao último ancestral comum (LUCA, last universal common ancestor) de todos os seres vivos do planeta. Para quem não sabe, Dawkins se inspirou no “The Canterbury tales” de Chaucer. Continuar lendo

Incrível foto de dinossauros reais vivos!

O título deste post está correto, e não se trata de nenhuma armação. Eu irei de fato mostrar fotos de dinossauros reais vivos. Você, contudo, já supõe que irá se decepcionar, e isso é inevitável: as espécies de dinossauros que você esperava ver devem estar todas extintas há mais de 63 milhões de anos. As espécies que eu mostrarei costumam ser bem menores e, pelo fato de uma de suas características ser a capacidade de voar (mesmo aquelas que não voam descendem de ancestrais voadores), elas são muito mais leves e menos corpulentas. Bem, vamos à foto: Continuar lendo

Sobre uma nova forma de ver o mundo: ratos e baratas.

Fico na indecisão sobre uma ou outra, mas de fato as duas coisas são uma só: será que eu gosto tanto de falar sobre cladogramas por causa das características e propriedades desses sistemas ou por que os cladogramas deitaram uma boa pá de cal nessa herança capenga e nefasta que é a scala naturae? Que ambas as opções são uma e a mesma é fácil perceber quando se estuda a sistemática filogenética e, sobretudo, quando se concebe as conseqüências absurdas que emanam da utilização da “great chain of being”. Continuar lendo

Ainda há quem fale em “sequência evolutiva correta”…

Lá vou eu, de novo, investir feito um Quixote contra o moinho da Scala Naturae. Esse monstro-conceito continua bastante vivo nos dias de hoje, para quem achava ser uma curiosidade histórica de uma epistemologia pré-Darwin, tanto nos falares dos alunos como nos dos professores, tanto implícita como explicitamente, tanto de forma consciente como de forma inconsciente. Continuar lendo

A falácia do “grupo derivado”

Eis-me aqui, outra vez, a lutar contra essa nefasta scala naturae. Como já disse no post anterior, trata-se de uma luta inglória, contra algo que dificilmente vai sair assim, duma vez só, do nosso modo de visualizar e de organizar o mundo vivo; contudo, convém tentar…

O que me interessa agora é o conceito – errado – de grupo derivado. o que existe são características primitivas e características derivadas, características plesiomórficas e características apomórficas, e não grupo derivado ou grupo apomórfico… Isso não faz sentido algum. contudo, até mesmo a maneira como um cladograma é construído, ou seja, sua forma gráfica, pode nos levar a impressões erradas. Continuar lendo