Abaixo com os filos!

(parte 2 de uma postagem dividida em duas partes)

Todos nós usamos muletas, figurativamente, é claro. Uma muleta é um objeto ou, nesse caso, um processo mental que te ajuda a enfrentar uma dificuldade passageira. A palavra fundamental aqui é essa: passageira.  Todo mundo concorda que apesar dos seus benefícios as muletas, literais ou figuradas, devem ser abandonadas mais cedo ou mais tarde, se você quiser realmente progredir e alcançar níveis mais elevados. Isso tudo é muito bonito, lugar comum em tudo quanto é palestra motivacional e livro bobo de autoajuda. Mas, mais uma vez, é muito mais fácil falar do que fazer. Continuar lendo

Entre dois mundos

Recentemente um colega veio, pela internet, pedir a minha opinião a respeito de uma questão de vestibular. Segundo ele, os professores estavam se digladiando, alguns a favor do gabarito oficial, outros contra. Quando ele me mandou a questão reconheci-a imediatamente. Eu já havia visto a questão, e já sabia que ela possuía duas opções corretas (coisa que, dependendo do concurso, faz com que a questão seja anulada). Dei minha opinião, com a qual ele concordou, mas me disse que a polêmica continuava. Felizmente, estou a três mil quilômetros dessa briga… Continuar lendo

A scala naturae no vestibular

Não é do desconhecimento de praticamente ninguém que lide com educação que no Brasil nós vivemos uma situação bastante peculiar: o vestibular determina os conteúdos que serão ensinados no Ensino Médio, e não o contrário.  O resultado disso é que o Ensino Médio torna-se quase um refém dos vestibulares: já vi inúmeras vezes um assunto ser inserido no Ensino Médio porque o vestibular daquele fim de ano anunciou que iria passar a cobrar aquele assunto, bem como um assunto ser eliminado do conteúdo programático do Ensino Médio porque o vestibular deixou de cobrá-lo. Continuar lendo

Precisamos de nomes. Muitos nomes.

(parte 2 de uma postagem dividida em duas partes)

Vamos supor, então, que as modificações propostas pela sistemática filogenética sejam universal e irrestritamente aceitas. Vamos supor que todos os grupos merofiléticos (parafiléticos ou polifiléticos) sejam invalidados, e tenhamos apenas grupos monofiléticos. Neste cenário distante e, por certas razões que poderemos comentar em outra ocasião, impraticável, teremos uma vantagem inegável, nomeadamente o fato de que a classificação biológica refletiria da forma mais fiel possível a história evolutiva dos organismos, mas teremos também um problema gigantesco: precisaremos de nomes, muitos nomes. Continuar lendo

Três domínios? Provavelmente não…

(parte 1 de uma postagem dividida em duas partes)

Você percebe que um conceito está errado e se compromete em substituí-lo pelo conceito correto. Tenta mostrar os problemas do conceito antigo, esforça-se por educar as pessoas, faz propaganda do novo conceito até que, depois de muito trabalho, as coisas começam lentamente a mudar, o conceito novo e correto começa lentamente a se estabelecer. Até que você percebe, um belo dia, que o seu novo conceito está… ultrapassado! Hora de mudar novamente, para um terceiro conceito. Continuar lendo

Cladogramas em zoom

Todas as tentativas de matar e enterrar com umas boas pás de cal a scala naturae são bem vindas. Como já reiterei diversas vezes neste blog, a ascensão da sistemática filogenética parece ser o fator fundamental para uma mudança de paradigma generalizada e permanente, uma vez que, infelizmente, a biologia evolutiva por si só parecia incapaz de gerar essa mudança de percepção. Ou, para sermos mais justos, a biologia evolutiva não seria tão capaz de gerar essa mudança quanto a sistemática filogenética (em tempo, biologia evolutiva e sistemática filogenética não são a mesma coisa). Continuar lendo