Ensinando evolução: A história vem por último

Existem certos padrões interessantes nas práticas pedagógicas. Alguns podem ser explicados ou justificados, o que contudo não os torna menos curiosos. Por exemplo, por que será que todos os livros de histologia (desconheço alguma exceção), sejam os do nível superior, os do ensino médio ou os do fundamental, começam discutindo os tecidos epiteliais, passam para os tecidos conjuntivos e musculares e finalizam com tecido nervoso? Por que essa sequência, especificamente? Consigo pensar em uma ou duas boas razões para isso, mas não deixa de ser curioso o fato de todos, absolutamente todos os livros de histologia trazerem a mesma sequência. Há muitos outros exemplos semelhantes, não só no ensino da biologia, mas no ensino das ciências em geral. Contudo, no meu entender, há certos padrões repetitivos (o pleonasmo foi proposital) que deveriam ser eliminados, não só por prejudicarem o ensino daquele assunto mas principalmente por desviarem o foco daquilo que realmente importa, daquilo que os alunos realmente deveriam saber. Um desses padrões encontra-se profundamente sedimentado na maneira de ensinamos evolução no Brasil. Continuar lendo

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O teste do canário

Traduttore, traitore. A primeira e única vez que me deparei com esse ditado italiano foi lendo “Os chistes e sua relação com o inconsciente”, há muitos e muitos anos, mas até hoje me lembro dele. Bem, para fazermos justiça, se não fossem os tradutores não teríamos acesso a uma quantidade formidável de obras indispensáveis. A maioria de nós não lê em inglês, muito menos em alemão, italiano ou francês. E o que dizer do russo, do latim, do grego, do japonês ou do árabe? Continuar lendo

Os 150 anos de “On the origin of species”

Nunca fui de dar muita importância para datas “redondas” (os 100 anos do nascimento de alguém, os 10 anos de algum campeonato, os 40 anos de alguma tragédia…), mas compreendo a importância que certos números têm para o imaginário de nossa espécie. O Réveillon, por exemplo, é apenas uma noite como outra qualquer, mas é interessante pensar que ela é imbuída de um significado especial. Continuar lendo