Afinal, o que é um macaco?

Prolegômeno: Quem me conhece e acompanha o blog sabe que eu costumo criticar os grupos parafiléticos. Ao contrário de alguns estudiosos, eu penso que grupos parafiléticos deveriam ser, quase todos eles, eliminados. Nunca pensei que eu defenderia o uso de um grupo parafilético. Pois bem, é chegado o momento.

Eu não tenho TV e, ultimamente, tenho acompanhado muito negligentemente os sites de notícias (além de praticamente não ter mais entrado no Facebook). Por isso, estava completamente por fora dessa história de futebol, racismo, bananas, macacos e da hashtag SomosTodosMacacos. Agradeço à minha mulher, que consultei logo após um seguidor do meu Tumblr ter perguntado a minha opinião a respeito, por ter me posto a par de toda a história. Bem, quero adiantar que, se você chegou até aqui através de um mecanismo de busca (a.k.a. Google), eu não vou falar sobre racismo, nem sobre a situação do racismo nos estádios, nem sobre a copa do mundo, nem sobre questão social alguma. Fique à vontade para sair desta página. Este é um blog sobre evolução e biologia evolutiva, e o que eu quero discutir é outra coisa: afinal, o que é um macaco? Continuar lendo

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Precisamos de nomes. Muitos nomes.

(parte 2 de uma postagem dividida em duas partes)

Vamos supor, então, que as modificações propostas pela sistemática filogenética sejam universal e irrestritamente aceitas. Vamos supor que todos os grupos merofiléticos (parafiléticos ou polifiléticos) sejam invalidados, e tenhamos apenas grupos monofiléticos. Neste cenário distante e, por certas razões que poderemos comentar em outra ocasião, impraticável, teremos uma vantagem inegável, nomeadamente o fato de que a classificação biológica refletiria da forma mais fiel possível a história evolutiva dos organismos, mas teremos também um problema gigantesco: precisaremos de nomes, muitos nomes. Continuar lendo

Incrível foto de dinossauros reais vivos!

O título deste post está correto, e não se trata de nenhuma armação. Eu irei de fato mostrar fotos de dinossauros reais vivos. Você, contudo, já supõe que irá se decepcionar, e isso é inevitável: as espécies de dinossauros que você esperava ver devem estar todas extintas há mais de 63 milhões de anos. As espécies que eu mostrarei costumam ser bem menores e, pelo fato de uma de suas características ser a capacidade de voar (mesmo aquelas que não voam descendem de ancestrais voadores), elas são muito mais leves e menos corpulentas. Bem, vamos à foto: Continuar lendo

We are the fishes, my friend

Deposito uma grande esperança na sistemática filogenética não apenas como uma ferramenta poderosa para os cientistas que trabalham direta ou indiretamente com biologia evolutiva, zoologia, botânica, micologia etc., mas sobretudo como uma sistemática que possibilite uma visão mais adequada por parte dos estudantes, tanto dos colégios como das universidades, do que vem a ser a diversidade biológica, e especialmente do que foi a história evolutiva do planeta. Numa palavra, deposito uma grande esperança no aspecto didático da sistemática filogenética, que possa finalmente alçar a biologia, pelo menos na visão dos estudantes, a um ramo das ciências caracterizado pela estruturação, pela coerência e pela lógica, e não pela imensidão de memorizações de bobagens erradas e ultrapassadas, que caracterizou a biologia nos meus anos de aluno de segundo grau, na década de oitenta. Continuar lendo