Os erros da biologia evolutiva

“Anacronismo” é um fenômeno ou uma situação que ocorre num tempo ou numa época na qual não se esperava que ela ocorresse. Às vezes, o anacronismo ocorre quando conhecimentos e costumes recentes são transferidos para o passado, como em Os Flintstones. Em outras ocasiões, mais infelizes por não se tratarem de uma obra de ficção, elas ocorrem quando costumes antigos persistem nos tempos modernos, como a astrologia – aliás, já compartilhei o pensamento de Feynman a esse respeito aqui. Continuar lendo

Acaso ou adaptação? Sobre as moscas com formigas nas asas

cb2Faz tempo que não uso o selo ao lado. Trata-se de uma brincadeira que fiz na época em que o selo Research Blogging, aquele verdinho, foi lançado, e tem por objetivo lembrar uma coisa fundamental: isto aqui é um blog, e boa parte do que escrevo é conjectura, suposição, opinião. É claro que muito do que escrevo é divulgação científica, acerca de teorias e fatos devidamente comprovados e aceitos pela comunidade científica. Porém, eu me dou ao direito de escrever minhas suposições e opiniões, pois, convém repetir, isto aqui é um blog. Agradeço imensamente meus seguidores e eventuais leitores, mas é importante lembrar isso vez ou outra porque o que escrevo aqui, mesmo quando é algo solidamente comprovado, não pode ser citado como fonte, ou seja, não tem a validade de um livro ou muito menos a de um periódico revisto por pares. Continuar lendo

O caráter especulativo da biologia evolutiva

Como é bem sabido, a biologia evolutiva é eminentemente uma ciência histórica, ou seja, uma ciência que se debruça sobre o que já ocorreu, que observa eventos passados e, a partir desses eventos, tenta estabelecer a história evolutiva dos seres vivos. É certo que se trata de uma ciência capaz de estabelecer previsões, testar hipóteses e, coisa que poucos percebem, elaborar e conduzir experimentos (em laboratório ou em campo). Mas, não podemos negar, o aspecto historiográfico da biologia evolutiva é o que mais prevalece, é o que mais se sobressai. Continuar lendo

Estruturas mal-adaptativas

Quando começamos a estudar biologia evolutiva, ainda no colégio, damos uma importância demasiadamente grande à seleção, a sua capacidade de fazer surgir e de fixar na população aquelas características que denominamos de adaptações. Nada mais normal, e até mesmo desejável: todos nós devemos iniciar o estudo de um campo novo do conhecimento por seus aspectos gerais, por suas regras básicas, para só então, já iniciados, passarmos aos detalhes mais complexos, aos casos particulares, às exceções, o que para muitos constitui a verdadeira diversão no estudo de ciências, onde as coisas começam a ficar mais interessantes! Contudo, há um preço a se pagar por isso: boa parte dos iniciantes fixa certas concepções, certas regras gerais daquela ciência a qual ele está se dedicando, de forma tão concreta e dogmática que ele acaba impedindo a si mesmo de dar o passo além, de perceber as exceções e, por conseguinte, a complexidade e a beleza daquele ramo do conhecimento. No caso cuja descrição acabei de começar, não é nada incomum o estudioso, após seus primeiros contatos com a seleção e seus mecanismos, passar a achar que todas as características ou estruturas de um organismo surgem por seleção, ou seja, que todas as características e estruturas de um organismo são adaptações, e dessa forma confundir seleção e evolução. Continuar lendo