Vampiros e suposições

Carl Gustav Jung teceu uma excelente análise do fenômeno OVNI em seu livro “Um mito moderno sobre coisas vistas no céu”. Lá, Jung analisa esse fenômeno, típico do início do século XX, em seus aspectos simbólicos: ele está interessado em entender o que querem dizer os símbolos repetidamente trazidos pelos envolvidos nesses fenômenos. Uma abordagem diferente nos traz um outro Carl, Carl Sagan, em seu “O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela na escuridão”. Sagan defende a idéia de que a natureza básica do fenômeno OVNI, ou seja, as alterações neurológicas e sensoriais que eventualmente ocorrem nos seres humanos, são eventos comuns, e que em diferentes épocas suscitavam diferentes explicações, de acordo com as particularidades psicológicas do momento em questão. Assim, esses fenômenos mentais, durante a idade média, eram associados a criaturas sobrenaturais, monstros e demônios, típicos do imaginário daquela sociedade; no ocidente do início do século XX, os mesmos fenômenos mentais estavam agora associados a outras criaturas típicas daquela época: alienígenas e naves espaciais. O que Carl Sagan nos alerta, não explicitamente, é que as explicações para um mesmo fenômeno podem variar de época a época, a sabor das zeitgeists. Continuar lendo

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