Quando a evolução pode ser supostamente antecipada

Não gosto nem um pouco de exercícios de previsão quando se trata de evolução. Na verdade, não gosto de exercícios de previsão em praticamente situação alguma; mas quando se tenta antecipar os eventos futuros do processo evolutivo a coisa fica perigosamente incorreta e indesejável, pois costumamos entrar num campo especulativo que, por mais que aparentemente inócuo e apenas hipotético, nos leva a poucos resultados além de uma compreensão inadequada da biologia evolutiva. Continuar lendo

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O que eu entendo por tendência evolutiva

O subtítulo desse blog é “por que, em se tratando de evolução, não há destino nem retorno”. Para quem não sabe, o final dessa frase (no foresight, no way back) é de um biólogo britânico chamado Maynard-Smith. Acho que é hora de comentarmos um pouco mais detalhadamente o que isso quer dizer, pois trata-se de uma introdução essencial para o assunto deste post: a evolução não é teleológica, ou seja, as mudanças evolutivas não ocorrem visando um fim último, um destino predeterminado por qualquer força que seja; ela simplesmente ocorre – ou nem isso: a mudança em si não é uma necessidade natural, ou seja, uma população pode se manter por um tempo ilimitado sem mudanças evolutivas. A evolução ocorre, se dá; não é, contudo, uma necessidade. Continuar lendo