Por que há decussação? Comentários…

Gostaria de agradecer a todos que gentilmente escreveram seus comentários na postagem sobre decussação, na verdade os comentários foram mais numerosos do que eu imaginava.

Quero começar pelo comentário do Ricardo: como ele nos fala, “o controle nervoso contralateral é importante para o padrão de locomoção em S dos cordados, que apresentam musculatura na forma de somitos. Esse tipo de locomoção requer uma coordenação de contração e relaxamento entre os dois lados do corpo para ser eficiente”… mas de que maneira a posição do pericário relativo àquela fibra eferente vai ter alguma influência na melhor coordenação dos movimentos? Porque um controle ipsilateral não pode fazer a mesmíssima coisa?

Esse foi exatamente o ponto levantado no comentário do Lucas, quando ele diz “E eu não consigo ver como o cruzamento da maior parte das fibras poderia aumentar a agilidade da resposta a um estímulo de luta ou fuga. Aliás, isto apenas aumenta o tempo que o impulso leva para chegar até o destino”. Apesar de, segundo ele, não ter respondido nada, não só esse comentário foi interessante, mas também o comentário seguinte: “As fibras espino-cerebelares surgem de um lado da medula, cruzam para o lado oposto, e, ao entrar no cerebelo, descruzam! Realmente, a explicação para esses cruzamentos de fibras são um desafio…” Esse descruzamento, por si só, dá muito pano pra manga.

O Bruno, em seu comentário, lembra algo importante: a decussação das pirâmides é só um exemplo num esquema maior de decussação. Aqui o erro foi meu: deveria ter alertado, no texto original, que “decussação das piramides”não é de forma alguma o mesmo que “decussação” apenas.

Mas, enfim, qual a vantagem da decussação? O melhor artigo que achei, como comentei no post original (e que coincidentemente também me foi enviado pelo meu grande amigo Felipe Pessoa, depois de ler o post), nos diz que a posição contralateral e ipsilateral dos pericários é apenas aparentemente de igual eficácia. Segundo o artigo, quando o número de fibras cresce a partir de um certo número, o posicionamento contralateral é substancialmente mais robusto quanto ao surgimento de erros nas conexões. “Mas por quê?”, você pergunta. Ah, aí você vai ter que ler o paper…

Eis o Abstract, e mais abaixo o paper, para download:

Many vertebrate motor and sensory systems ‘‘decussate’’ or cross the midline to the opposite side of the body. The successful crossing of millions of axons during development requires a complex of tightly controlled regulatory processes. Because these processes have evolved in many distinct systems and organisms, it seems reasonable to presume that decussation confers a significant functional advantage—yet if this is so, the nature of this advantage is not understood. In this article, we examine constraints imposed by topology on the ways that a three-dimensional processor and environment can be wired together in a continuous, somatotopic, way. We show that as the number of wiring connections grows, decussated arrangements become overwhelmingly more robust against wiring errors than seemingly simpler same-sided wiring schemes. These results provide a predictive approach for understanding how 3D networks must be wired if they are to be robust, and therefore have implications both for future large-scale computational networks and for complex biomedical devices.

Why Decussate? Topological Constraints on 3D Wiring. THE ANATOMICAL RECORD 291:1278–1292 (2008)

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