O que é pior, ser ateu ou vegetariano?

Já se vão quase três séculos após o iluminismo, e os tempos estão bastante escuros. Muitos gostariam de pensar que a alta idade média e a sua estreiteza intelectual são coisas de um passado distante, mas parece não ser bem o caso: poucas opções pessoais causam maior consternação nos dias de hoje do que se dizer ateu. Trata-se de praticamente cometer um suicídio social: o indivíduo não é mais aceito ou respeitado como era antes, passa a ser visto com maus olhos; pode ser preterido em sua carreira profissional ou mesmo demitido; sua capacidade ética e moral são questionadas, para não falar de sua capacidade como pai ou mãe de família. Tudo corre como se o sujeito, ao se dizer ateu, afrontasse mortalmente aqueles que creem em deus, como uma ofensa pessoal. Ora, eu poderia argumentar o mesmo, no sentido contrário: saber que há pessoas que ainda acreditam em deus incomoda os ateus, por verem tantos adultos num — como diria Freud — lamentável estado de infantilismo psicológico. Há conhecidos que pararam de falar comigo quando souberam que eu era materialista; eu, por outro lado, sou educado, e dou bom dia a todos quando os encontro, tanto os que creem em deus como os ateus, indistintamente. Recentemente, a presidente eleita disse que irá “respeitar a liberdade de culto religioso”. Liberdade de culto religioso? Eu pensei que devêssemos respeitar a liberdade de pensamento, a liberdade de opinião, e não “a liberdade de culto”! Mas isso se dá num país laico, o que deveria ser o caso do Brasil: apesar do preâmbulo infeliz, a constituição deixa isso bem claro, como no artigo 19. Contudo, o que deveria ser não necessariamente é.

Com isso em mente, eu estava a me perguntar num dia desses: que opção ou opinião pessoal (que não constitua crime, é claro) é mais capaz de ofender as pessoas que o ateísmo? Em minha vivência, a resposta parece ser bem clara: o vegetarianismo (ou, mais que o vegetarianismo, o veganismo). Apesar de ter criado esse weblog para discutir aspectos da biologia evolutiva, gosto muito (e creio ser bastante relevante) abordar temas que relacionem o comportamento humano à preservação (ou melhor, à destruição!) ambiental, e esse é um tema chave nos dias de hoje. Por isso, gostaria de me debruçar um pouco sobre essa questão.

Propaganda de hamburger de vegetais na Austrália, para aqueles que, mesmo vegetarianos, não passam sem uma junk food!

Do mesmo modo que em relação ao ateísmo, dizer-se vegetariano parece ser uma afronta pessoal para a maioria das pessoas, como se você as estivesse ofendendo. Isso é algo curioso, pois mesmo os mais grosseiros e embrutecidos seres humanos, e há grande quantidade desses por aí, concordam que o planeta é um só e que nós devemos preservá-lo. A imensa maioria das pessoas, do mesmo modo, está ciente da importância da preservação não só das florestas mas dos biomas em geral. Mesmo as pessoas que nada fazem para mudar seu comportamento e que continuam procriando, povoando mais ainda o planeta de crianças com os mesmos hábitos devastadores, mesmo essas sabem da importância da preservação dos ambientes. A imensa maioria das pessoas reconhece o sofrimento animal, e com exceção de uns poucos psicopatas ou sociopatas, todos defendem o fim do sofrimento animal e a melhoria do seu bem-estar, incluindo-se como animais o próprio ser humano.

Em nossas atividades diárias, nada, e eu quero enfatizar veementemente o nada, nada tem maior impacto na economia de água do planeta, na preservação das florestas e dos ecossistemas, na redução das emissões de gases estufa e na redução da imensa ubiquidade do sofrimento animal que uma mudança nos nossos hábitos alimentares, nomeadamente: deixar de comer animais. Mas, como já disse Jonathan Foer, apesar de quase todos concordarem que a maneira como tratamos os outros animais e o ambiente é importante, virtualmente a maioria dessas pessoas nada faz e, quando encontram aqueles poucos que tomam uma atitude, isto é, param de comer animais, ao invés de dizerem “que legal, eu não consigo ainda parar, mas que bom que você conseguiu!”, ou “parabéns, você está reduzindo a pressão sobre o planeta” ou mesmo “que bonita sua atitude”, normalmente nos tratam como estranhos, ou radicais, ou como pessoas sem o juízo perfeito, ou seja, loucos. John Maxwell Coetzee discute isso num livro magistral, chamado “A vida dos animais”, onde a mãe do protagonista, vegetariana e ativista contra o sofrimento animal, é vista por esse como uma velha excêntrica; sua mulher vê com maus olhos a presença da sogra em sua casa, pois essa pode “contaminar” seus filhos com o seu “estranho hábito vegetariano”.

Eu gostava muito do sabor da carne, daí o sacrifício que foi parar de comê-la. Posturas morais exigem, ou melhor, resultam em sacrifícios, em perdas. É muito fácil tomar uma posição que não exija esforço, por isso eu sou pessimista quanto a uma série de problemas ambientais, pois a maioria das pessoas só pensa nas vantagens imediatas e individuais. Se um carro com um equipamento que emite menos óxido nitroso e gás carbônico tem um preço maior que o mesmo modelo sem esse equipamento de redução, as pessoas tendem a comprar o carro mais barato. Elas não percebem que a preservação da Terra envolve custos: nós temos que comprar lâmpadas fluorescentes, mesmo que sejam mais caras que as incandescentes. Se uma madeira certificada custa duas vezes mais que uma ilegal, nós temos que gastar mais dinheiro comprando a certificada, esse é o preço da preservação. Do mesmo modo, nós temos que abrir mão do conforto de andar em carros particulares pelo uso de transporte público, que inegavelmente é menos confortável. Mas, se não fizermos isso, não haverá mais planeta onde você desfrute o conforto do seu carro novinho. Voltando à questão de comer animais, lembro-me da famosa frase de Oscar Wilde: “posso resistir a tudo, menos a uma tentação”. Apesar de tradicionalmente o vegetarianismo ser praticado por pessoas que, pelas mais diversas razões místicas, consideram que a carne faz mal ao seu organismo, a maior parte dos vegetarianos modernos, e aqui eu me incluo, não come animais por considerar que isso faz mal para o ambiente, para a Terra e sobretudo para os animais. Quando questionado por que não comia animais, Isaac Bashevis Singer disse que fazia isso por causa da saúde, mas não da sua, e sim do animal a ser morto. O mesmo Singer tem uma frase interessante a respeito do que chamamos falácias naturalistas, que discutirei mais abaixo: “People often say that humans have always eaten animals, as if this is a justification for continuing the practice. According to this logic, we should not try to prevent people from murdering other people, since this has also been done since the earliest of times.” Portanto, quando eu evito comer galinhas faço isso não pensando em mim, na minha saúde, e sim nas galinhas (especialmente as produtoras de ovos), que geralmente são mantidas em espaços da área de uma embalagem de DVD por toda sua vida, de umas poucas semanas. Você deve estar familiarizado com o tamanho de uma embalagem de DVD. Se duvida, veja a imagem abaixo.

Galinhas poedeiras em uma bateria de gaiolas (Fonte: Reuters).

Como se percebe, optar por ser vegetariano é uma escolha moral com perdas, que envolve sacrifícios. Não deveria portanto uma escolha como essa ser pelo menos parabenizada?

Antes que eu sumarie os principais motivos para essa escolha alimentar, convém falar um pouco sobre os principais argumentos contrários. Alguns são emitidos por pessoas intelectualmente desonestas, outros por pessoas que não percebem a atual situação do planeta, e pensam que podem continuar com seus hábitos infinitamente. Outros, ainda, estão sensíveis à questão ambiental e ao sofrimento animal, mas têm preocupações (genuínas) com sua saúde. O primeiro grupo de críticas se enquadra no que nós em filosofia denominamos de falácias naturalistas (tecnicamente falando, “falácias do apelo à natureza”), ou seja, falácias que associam o “natural” ao “bom” e o “não natural” ao “ruim”. Como disse Singer, algumas pessoas alegam que “o ser humano sempre comeu carne”. Que tipo de argumento é esse? Em primeiro lugar, o ser humano não comeu carne sempre; muito tempo após a separação de nosso ancestral comum com os chimpanzés e os bonobos nós ainda não comíamos carne, e só passamos a fazê-lo há 1,8 milhão de anos. Em seguida, alega-se que o consumo de carne foi responsável pela grande mudança evolutiva que possibilitou o aumento de nossas estruturas nervosas. Isso está correto, pois o consumo de carne propiciou os primeiros Homo uma dieta não só bastante calórica como rica em proteínas. Mas isso foi uma questão competitiva, não faz mais sentido algum hoje. Uma criança alimentada com vegetais e uma alimentada com carne terão o mesmo desenvolvimento, se não houver competição por recursos (e eu imagino que você alimente adequadamente seu filho). Ainda outro argumento, em relação ao sofrimento animal, é que na natureza os animais matam-se uns aos outros. Quem usa esse argumento demonstra uma clara desonestidade intelectual. Bem, em primeiro lugar, na natureza não há o modo capitalista de produção, em que os animais são tratados como produtos e desde o primeiro dia de eclosão ou de nascimento são submetidos aos mais terríveis sofrimentos e torturas, pois nenhuma melhora em suas condições é feita se ocasionar em aumento dos custos ou redução do lucro. O sofrimento não se dá apenas na hora da morte, mas em toda a vida (ou melhor, em todo o processo produtivo) do animal. Todos os custos são externalizados, tudo obedece à lógica de mercado. E essa pode bem ser uma boa forma de atacar o processo: se nós não comprarmos mais animais, as bandejas com carne vão apodrecer nos supermercados. Muitos pensam “bem, eu vou comprar, pois o animal já está morto mesmo!”; mas neste caso você estará alimentando o sistema, estará fazendo os bens de consumo (que são os animais, na ótica capitalista) fluirem e outros animais serão mortos. Se todos parássemos de comprar carne, certamente bandejas e mais bandejas apodreceriam nos supermercados, mas o capitalismo se autorregula: os supermercados comprariam menos do fornecedor, que compraria menos do distribuidor e assim por diante, até uma situação utópica em que não haveriam mais essas fábricas de sofrimento animal. Isso dito, confesso que poderia comer uma galinha criada em quintal, solta, e que a matássemos de forma que eu pudéssemos nos assegurar que seu sofrimento foi o menor possível; ainda assim, prefiro deixá-la viva e observar o que ela faz. Outro ponto importante é lembrar que na dita “natureza” o número de pessoas no início do neolítico não chegava a 5 milhões, ou seja, quase 1400 vezes menos gente que nos dias de hoje. Dada a quantidade absurda de pessoas no mundo atual, simplesmente não há mais como criar animais em fazendas da forma como se criava há cem anos, em que os animais tinham uma vida bem menos torturada antes do abate (isso não é uma justificativa para a existência das atuais fábricas de tortura; é, ao contrário, mais uma evidência a favor da retirada dos animais da dieta humana).

Em relação àqueles que se preocupam genuinamente com sua saúde, deve-se dizer que o grande problema da humanidade com os vegetais não foram os vegetais em si, mas a famigerada revolução agrícola. Deixe-me explicar melhor: um ser humano coletor (e ainda há culturas na África e na América onde não se desenvolveu a agricultura, e as pessoas são coletoras) ingere em média 60 a 70 diferentes espécies vegetais, e esse número pode ser bem maior dependendo da região. A revolução agrícola foi uma maravilha ao trazer calorias baratas e permitir o assentamento dos seres humanos e o desenvolvimento das primeiras cidades, mas a que custo? A partir da revolução agrícola, o ser humano reduziu drasticamente sua variedade alimentar: na Europa, a agricultura resumia-se basicamente ao trigo, enquanto na América resumia-se basicamente ao milho. O ser humano passou a ser um comedor de amido, com uma boa dieta calórica mas pobre em proteínas, em vitaminas e numa série de outros nutrientes. Comparado a um ser humano coletor, que comia os mais diversos vegetais, o comedor-de-trigo europeu do início da idade do bronze não passava de uma criatura pálida, esquálida e mal-nutrida. Portanto, se você está considerando a opção de parar de comer animais, lembre-se: é fundamental ter uma grande, ou melhor, uma enorme variedade de espécies em sua dieta. Se você tirar a carne do prato e comer apenas as batatas sua saúde vai cair perceptivelmente. Ser vegetariano, portanto, não é apenas tirar os animais do prato, mas rever e reelaborar o conteúdo não-animal deste prato.

Por fim, é hora de sumariar aos principais motivos pelos quais eu não como animais. Em relação ao que denominamos radicalismo, vale a pena lembrar que, de acordo com os argumentos que eu usarei abaixo, não é necessário que você seja um vegetariano estrito para diminuir o sofrimento animal ou reduzir a destruição dos ecossistemas. Se você deixar de comer animais uma vez por semana, ou duas, ou se possível uma dieta dia sim/dia não, já é uma grande contribuição. Certamente, contudo, o melhor seria parar definitivamente. Eis os motivos:

  1. Eficiência de cadeia: Isso é algo que se aprende nas aulas de ecologia. Eficiência de cadeia é a quantidade de energia que efetivamente passa de um nível trófico para outro. Matematicamente é E(n+1)/E(n). Na maior parte das cadeias alimentares, a eficiência de cadeia varia entre 0,01 e 0,1, indicando que a porcentagem de energia que passa de um nível para outro varia entre 1% a 10%. A maior parte dos alunos de ecologia sabe o que isso quer dizer: as pirâmides ecológicas de energia são tais que cada nível é sempre maior que todos os outros níveis acima dele somados. Na prática, isso quer dizer que se você come animais sua pegada ecológica é bem maior, pois você demanda uma área do planeta bem maior. Exemplificando: Amanda e Raquel requerem 1000 Kcal, e logicamente 1000Kcal de carne é igual a 1000Kcal de feijão. Amanda é vegetariana, e requer do planeta uma área de 40 hectares (estou inventando os números) para obter suas calorias; Mas Raquel come carne, e para obter as mesmas calorias que Amanda, requer 500 hectares do planeta para sustentá-la. Assim, se você se preocupa com a destruição da Amazônia, a melhor atitude imediata que você pode tomar é essa: pare de comer animais. “Mas boa parte do desmatamento na Amazônia ocorre para plantar soja”, você pode alegar. E você acha que essa soja é para alimentar seres humanos?
  2. Economia de água: Você é uma pessoa que fecha a torneira ao escovar os dentes, o que é louvável. Com isso, vamos supor que você economize algo em torno de 10 litros por dia, o que nos daria uns 3 mil litros de água por ano. Isso não é nada comparado a 7,5 milhões de litros de água por ano, que é o que você economiza parando de comer animais. O conceito relaciona-se com a eficiência de cadeia já discutido acima: gasta-se 100.000 litros de água para produzir 1 quilo de bife, mas apenas 500 litros de água para produzir 1 quilo de batata.
  3. Emissão de gases estufa: Ainda utilizando o conceito de eficiência de cadeia, é fácil perceber que para produzir 1000 Kcal de carne há liberação atmosférica de muito mais gases estufas que o necessário para produzir 1000 Kcal de trigo. Em países como os Estados Unidos a produção industrial de animais é responsável por mais gases estufa que o setor de transportes.

    Emissão de gases estufa por setor. “Farming” inclui a criação de animais (Fonte: IPCC).

  4. Sofrimento animal: Desnecessário explicar que o atual modo de produção capitalista inflige um grau de sofrimento aos animais muito maior que o mais embrutecido machão julga capaz de assistir. Há bons documentários sobre o assunto, como “Earthlings”:

 

Apesar de tudo isso, apesar do que parece ser bastante óbvio, optar consciente e voluntariamente por parar de comer animais ainda é visto como uma atitude de quem tem pouco juízo. Será que a maioria das pessoas sente prazer em ver o sofrimento de outros animais, ou é apenas uma questão de acomodação, de não querer pensar nisso? Creio que se trata mais de acomodação, de não querer saber do sofrimento ao qual foi submetido o animal que se está comendo. E, se esse é o caso, será que não deveríamos respeitar as poucas pessoas que pensam sobre isso e tomam uma atitude?

48 comentários sobre “O que é pior, ser ateu ou vegetariano?

  1. Olá Gerardo,

    Realmente devemos respeitar quem opta pelo vegetarianismo. É um sacrifício e tanto deixar de comer um bife ou um churrasco. Porém, sabemos que para se tornar um vegetariano, é necessário um mínimo de renda para poder arcar com as despesas que não são nada baixas.

    Atualmente, 31,83% da população brasileira encontra-se nos níveis D e E (dados daqui: http://www.fgv.br/cps/atlas/), então para que ocorra essa “revolução alimentar” se faz necessário muito mais do que simplesmente uma mudança de hábito, é preciso também mudança de políticas, de salários (para mais de preferência) e de preços, para que se tornem mais acessíveis à população em geral.
    Contudo, como todos nós sabemos, é bem provável que até tudo isso acontecer, já nem estejamos mais aqui. Mas alguém tem que começar, neh?!

    Abraços

    • Oi Gustavo,
      essa questão econômica é mesmo um entrave sério se a pessoa quer ter uma alimentação vegetal balanceada (pois comprar apenas arroz, farofa e macarrão é barato, mas não saudável) e de boa qualidade, principalmente em relação aos produtos mais “tecnológicos”: por exemplo, eu pesquiso muito na internet (uma vez que a cidade em que moro tem uma variedade muito pequena nos supermercados) substitutos vegetais para coisas como queijo, iogurte, ovos etc. Como você pode adivinhar, um mozzarella vegetal é várias vezes mais caro que o tradicional.
      Abraço.

    • Gente, não entendo pq as pessoas sempre usam a desculpa de não ser vegetariano por causa dos gastos.. já tem mais de 3 meses q não como carne e vcs não fazem idéia da economia que fiz em meu orçamento e como de tudo..vegetais, a proteína da soja que é mto mais barata q a carne, então por favor se vc não quer ser vegetariano a opção é sua mas não culpe o orçamento se vc sequer chegou a fazer um..

      • É mesmo cara, parada de gasta mais é ridícula! Sou Vegano a 20 dias e o orçamento vai muito bem obrigado, to gastando algo em torno de 100 reais por semana. Isso que como fora no almoço todo dia. Do meu ponto de vista não é sacrifício deixar de comer carne, ovos e laticínios. Me parece a coisa certa a fazer, não precisamos explorar os animais. Estudando o assunto, acredito que parte da consciência de cada um, por que os fatos todos nós sabemos… Só quem quer se iludir finge que não sabe

  2. Gerardo,

    Eu não sabia da discriminação inerente ao ato do vegetarianismo. Apesar de, pensando bem, saber que sempre há esse tipo deplorável de manifestação quando pessoas se defrontam com conceitos antagônicos aos deles.

    Tocante a sua defesa do vegetarianismo. Fez-me pensar em tentar reduzir a minha quantidade de carne ingerida.

    abraço

  3. Estimado Prof. Geraldo Furtado, sempre me deparei com uma eterna agonia, ter poucas oportunidades de encontrar pessoas inteligente. (Dotado de inteligência, capaz de compreender, segundo Aurelio), gostaria de acrescentar principalmente, com capacidade de pensar, desenvolvedor de ideias.

    Não falo de pessoas instruídas, mas sim, pensadoras.
    Alguns até se travestem de Pseudo-intelectuais, mas não passam de nescios querendo aparecer com algumas ideias alheias tentando disfarçar sua ignorância. (Quero pedir desculpas do meu mal português, pois nunca o estudei, considerando que cheguei ao Brasil já alfabetizado e nas portas de uma faculdade).

    Fico feliz de encontrar jovens como o senhor com essa capacidade de aprender e ensinar.

    Sou vegetariano e ateu neto de anarquista e filho de professora, motivo pelo qual creio conhecer bem o lado humano da atividade do ensino.

    Qualquer atividade que permita promover o conhecimento é louvável e merecedora de todo me apreço.

    Parabenizo a sua pessoa por ter me permitido ler um texto tão cheio de conhecimento e sabedoria e razão.

    Que possa alcançar todas suas metas e realizações.

    Fraternalmente

    Héctor Igor

    • Obrigado pelo comentário, Hector.
      Visitei a loja de camisetas, e achei estranho o aviso “Esta é uma loja de demonstração. Qualquer pedido feito nesta loja não será atendido ou entregue”, pois o sistema de compras está funcionando normalmente. De qualquer forma é uma pena, pois me interessei por uma camiseta.
      Abraço.

      • OI Geraldo, realmente a loja está nos últimos ajustes, mas enviei email te informando sobre teu pedido.
        Se tudo der certo estarei te enviando a camiseta sem problemas.
        Obrigado pelo interesse em nossos produtos.
        A loja vai estar funcionando a partir de 15 de novembro.
        Abraço

    • Eu sou ateu,porque vejo os teístas colocando nas mãos de deus os seus erros, pedindo perdão pelo que fizeram .Sendo a quem eles fizeram o mal, não serão compensado. Não peço perdão a deus, porque entendo que foi os homens que criaram, para pagar seus débitos. procuro a não fazer mal para nenhum ser vivo, por isso sou Vegetariano. para que os animais não sofra.para me alimentar.

  4. E aí Gerardo. Acho que uma das coisas que mais encomodam em ser ateu é essa pressão de familiares, como se nós tivessemos realizando alguma espécie de ato totalmente amoral e pondo em risco todo desenvolvimento moral da humanidade ou algo do tipo. Não seria possível uma um reconhecimento mais “humano” do que é moral, talvez se tivesse os ateus estariam não atrás…mas na linha de frente.

    • Para quem acredita na existência de uma entidade chamada de “Deus”, os ateus estariam negando a existência dele, ou mesmo rejeitando-o.

      Ateus – ‘a’ como prefixo de negação.

      É quase como ‘não aceitar Deus no coração’.

      Creio ser isto o que ofende os que crêem.

      Por isso que alguns preferem ser chamados de materialistas.

      Se bem que, creio eu, todos cremos na existência da matéria… que é uma forma de energia.

  5. Gerardo, sua argumentação é irretocável! Admiro muito sua coragem e sinto-me envergonhado de ainda comer carne quase todos os dias… Vou tentar dimininuir aos poucos. Um abraço e tudo de bom pra você.

    • Eu tenho pensado muito sobre essa questão de como ser proselitista (pois quanto a esse tema eu sou) sem ser muito radical, sem assustar, e por isso eu passei a falar, até mesmo para os meus alunos, “se você não consegue parar de comer carne, tente comer menos”. Se todas as pessoas que comem carne todos os dias passassem a comer dia sim dia não (o que não é um sacrífício de outro mundo) já seria uma redução de 50% no consumo dessa população, o que seria um avanço gigantesco na redução do sofrimento animal, na preservação do meio e na redução do efeito estufa.

      • Geraldo, sou Ateu e vegetariano, entendo que deus ou o diabo está dentro de cada um de nós. A dor de um ser humano é igual a do outro, portanto se quisermos sermos felizes, precisamos fazermos os outros também. Isso é deus. Deixe de comer carne para não promover dor nos animais. Seja você a referencia do bem, que seremos um deus.

  6. Ah, sobre utilitarismo e ateísmo, recomendo a leitura de um livro recém-lançado nos EUA, do qual espero ansiosamente por uma tradução (tamanha a minha ansiedade, que já encomendei o meu em inglês mesmo): “The Moral Landscape: How Science Can Determine Human Values”, do grande Sam Harris:

    http://www.amazon.com/Moral-Landscape-Science-Determine-Values/dp/1439171211

    (mais abaixo, nesse mesmo link, há uma breve entrevista com o autor)

    Abraço.

    • Daniel,
      obrigado pela dica. Curiosamente, estava olhando os comentários abaixo da entrevista e até os comentários com uma só estrela (ou seja, os que menos gostaram do livro) dizem que o livro merece ser lido!
      Abraço.

      • Esse link tem uma apresentação do Sam Harris no TED, em que ele faz um ‘resumão’ do livro:

        tem um botão em baixo do video para acrescentar legenda pt-br.
        Vale a pena, o cara é bom.

  7. Oi a todos.
    O meu comentario vai para Gustavo Miranda, caro Gustavo, ao meu ver verduras e legumes são bem mais baratas do que carne, um exemplo 1kg de cuscuz custa no maximo 3 reais, enquanto um 1kg de carne rende bem menos e custa muito mais. Outra alface, cenoura, beterraba, inhame(mandioca), macaxeira, dentro de varios outros alimentos são baratos e podem nutrir muito bem uma pessoa.

  8. Interessante o título do post: O que é pior, ser ateu ou vegetariano?

    Acho que o pior mesmo é ser Negro+Homosexual+Ateu+Vegetariano+Careca.

    Abraços.

  9. Caro Gerardo,
    Sua inteligência é fantástica! Vc escreve como ningúem! Mas, amigo, um churrasco é um churrasco! “Prazer” incomparável! Respeito totalmente o seu ateísmo e o seu vegetarianismo! Mas, sobre o título: O que é pior, ser ateu ou vegetariano?…teria uma terceira opção? … Triste o comentário final do Hans Moleman!!!!

    • Que pena, vc não entendeu meu post.

      Vou explicar:
      É barra ser ateu(como eu), é mais barra ainda ser ateu e vegetariano(como o Gerardo), e deve ser MAIS barra ainda ser negro, homosexual, ateu, vegetariano e careca(como eu) em nossa sociedade. Esqueci de colocar os nordestinos, que é outro grupo extremamente discriminado no nosso dia a dia.

      Entendeu?

    • Oi Fláudio,
      Acho que o Hans Moleman já se explicou: o que ele quis foi exatamente evidenciar o desrespeito a esses grupos…
      Me fez lembrar de um documentário brasileiro da década de 80 sobre a vida nas grandes cidades ou algo assim, onde um didadão falava “as pessoas não me respeitam porque eu sou negro, pobre, favelado, baixinho, feio e homossexual”. Já imaginou?
      Abraço.

  10. Olá,
    Na parte dos comentários, infelizmente, existe uma informação equivocada. Em uma dieta “normal” (para a nossa sociedade atual), os maiores valores (custo) estarão sempre nos produtos de origem animal.
    Obviamente produtos indurtrializados são mais caros, e produtos orgânicos ainda são inacessíveis para a maior parte da população.
    Entretanto, uma dieta vegetariana (estrita) balanceada é MUITO mais acessível (financeiramente) do que a dieta “normal” (onívora). Basta evitar os industrializados e saber (procurar aprender) como balancear sua alimentação.

    Existem muitas informações relevantes, ao acesso de todos os que querem buscar por elas:
    http://www.svb.org.br
    http://www.vista-se.com.br

    No mais, parabéns sinceros pela postagem.

    • Oi Flávia,
      na verdade ambos têm razão, e eu vou tentar defender ambos os pontos de vista:
      Na dieta tradicional (onívora), a carne é complementada com amido barato e de baixa qualidade nutricional, isto é, arroz, batata, macarrão (trigo) ou farofa (mandioca). O custo do componente animal é certamente bem maior que o do componente vegetal do prato.
      Por outro lado, quando você tenta incrementar a alimentação vegetariana com componentes menos comuns como brócolis, grão-de-bico, espinafre, cogumelo, aspargos, alcachofra, alface americana e outros, o custo total sobe, e sobe mais ainda quando você tenta usar substitutos industrializados, como queijo vegetariano, hamburguer vegetariano, iogurte vegetariano etc.
      Assim, como você mesmo mencionou em seu comentário, o prato vegetariano é certamente mais barato que o onívoro evitando-se os industrializados; contudo, incluindo esses, o custo talvez ultrapasse um pouco o da alimentação onívora. Mas, como eu sempre friso (em relação a esses substitutos industriais), é um preço a mais que eu faço questão de pagar.
      Abraços e obrigado pelos links.

  11. Achei impressionante o aumento na profundidade e abstração elebarados por diferentes pensamentos organizados a partir de multiplas fontes de informação, essa capacidade de dar um significado linguistico e expor comentarios com esse entrelaçamento de palavras, hahahah é um paragrafo e ja vou no dicionário…. Quanto ao comentário de Intelectual ou pseudo-intelectual, fico com medo de entrarmos em um processo de endogenismo e comessarmos a fazer um juizo sem fatos. Desde quando se nasce, td estimulo externo fragmentado é armazenado sobre aspectos de semelhanças e diferenças em diferenças porções do encefalo, isso faz com que em um processo de elaboração mental possamos resgatar traços de memória semelhantes, reestrutura-las e apresentalas, verbalizando de forma lógica, sequencial com um nivel de abstração e profundidade proporcional, ao que se adquiriu na vida, e a capacidade reflexiva de não distorcer o meio. julgar a capacidade cognitiva de uma pessoa se complica pelo fato de não avaliarmos seu contexto de vida, sua capacidade morfofisiologica de captar, conduzir, integrar, associar informações e gerar resposta, o fato de se viver em um meio distorcido ja propicia a pessoa ao erro por mais que ela tente ”pensar” ”abstrair” gerar um significado, ja que esta é fruto do mesmo, e está presa em sua mente, não sofrendo influencia externa “Deus” para se expor…. se não for pelo fato do pq e ACEITAR a busca da resposta, talvez para essa pessoa o certo seja viver o errado. Sua pagina é muito boa, é gratificante, e proporciona involuntariamente ser digna de memória, assim como tudo na vida pra ser guardado, se enfatiza no prazer e na dor.

  12. Nunca vi um texto falar tudo o que penso, tem tantos detalhes importantes, um texto verdadeiro e que todos deveriam ler. Admiro sua incrível inteligência, sua maneira de escrever e mais ainda o que você defendeu. Realmente, ser vegetariano hoje em dia é difícil, não em relação aos preços, mas como as pessoas reagem em relação a isso. E é impressionante como desprovidos de conhecimento tem a ousadia de dizer que ser vegetariano é coisa de homossexual. Como se quem come carne, é considerado “macho”. Macho por não se importar com o sofrimento de um animal que deveria estar vivo, que tem o direito de estar vivo! Uma vez eu vi um texto que era mais ou menos assim:

    “Um circo passava por uma cidade, onde na mesma tinha uma estátua de um homem qualquer enforcando um leão. Neste circo, dentro de uma jaula, havia um leão, que era maltratado e passava fome. Um certo dia, o homem do circo disse para o leão, apenas por dizer ‘Olhe para esta estátua. Viu como os homens são superiores aos animais? Fazem estátuas nossas, matando vocês.’ O animal apenas ouviu, e pensou ‘Se leões tivessem mãos, tenha certeza que seria um de nós que estaria matando um de vocês naquela estátua.’

    É uma coisa a se pensar, pois muitos homens (seres humanos em geral), acham que são superiores aos animais, e por isso tem o direito de tirar sua vida, como se não fosse nada. Mas a verdade é que somos todos iguais, pois enquanto o ser humano continuar matando um animal, continuarão a se matar. Tenho lido várias frases sobre vetegarianismo, de várias pessoas que defendem isso. Uma que eu acho muito interessante é “Um dia perguntou a um colega por quê ele tinha a cabeça de um alce na parede, e ele me respondeu ‘Porque acho bonito.’ Bom, eu acho minha mãe bonita, mas nem por isso tenho sua cabeça na minha parede’. É algo mais ou menos assim, que também deve ser pensado. As pessoas acham bonito e simplesmente querem aquilo na sua parede, como se fosse um troféu. Sendo que na verdade é algo para se envergonhar.
    Tenho uns comentário aleatórios para fazer, mas que tem a ver com o assunto: É interessante, triste e horrível como comemoram as coisas com churrasco. Como se para comemorar-se algo, é necessário a morte de mais animais. Outro é como há hoje em dia roupas com couro de animais. Para que isso?! É totalmente desnecessário. Além de ser caro. Mulher que é elegante não pode permitir ter a pele de um animal morto em cima de seus ombros.

    Sobre o ateísmo. É, você também falou uma pura verdade. As pessoas pedem ajuda de Deus, reclamam com Deus, mas não fazem. É como se fosse um apoio, é falta de segurança. Isso é como a Mitologia Grega. Veja vem, e se não tivesse esse “Mitologia” no nome? E se “nossa” religião fosse um mito? O que eu acredito que é. Será que se não tivessem deixado os Deuses de lado, isso não seria forte e “verdadeiro” que nem a religião de hoje em dia é? Pense bem. A história de Jesus é triste, comovente, querem que nos sentimos mal por pecar enquanto alguém morreu por nós… Mas será que é tudo verdadeiro? Não seria uma maneira de controlar os pensamentos, as ações e até a maneira de se vestir? Acreditar em Deus eu nem me importo, posso dizer. Fico incomodado com a religião. Ela te separa em grupos, diz que tal coisa é errado, e é que “sua” religião é melhor que a religião de “outro” lá. Eles pedem o seu dinheiro, querem o seu “material”, enquanto Deus só quer amor. Se você me perguntar o que eu tenho contra Deus, bom, eu não tenho nada. Mas contra religião? Contra religião eu tenho tudo. Afinal, para que isso existe? Deus te deixa ser livre, não importa se você é homossexual. Ele diz para amar o próximo. A religião descrimina o homossexual, como se ele fosse uma aberração. Ele não ama o homossexual, e ainda diz que isso é coisa do demônio, só pelo fato de Deus ter feito “um homem e uma mulher”. Afinal, isso realmente importa? Importa mesmo quem veio primeiro, qual sexo é e qual opção de sexo escolheu?

    Parabéns pelo Blog. Abraços!

  13. … E o caso de quem é agnóstico E vegetariano, como eu? Risos.

    Artigo irretocável, professor. Recomendo o seu blog a todos.

  14. gerardo pode parecer um exagero o q vou escrever,pois,senti um grande conforto ao ler o q vc escreveu,um sentimento profundo ao saber q posso contar com um ser q pensa exatamente como eu,estou me sentindo como um et desde q optei por ser vegetariana e o mal encarnado desde q resolvi pensar por conta propria e assumir q ateia eu sou,obrigada por existir,por favor nunca se cale,vc e uma luz importante no meio de tamanha escuridao,nao tive filhos por opçao,isso tambem e visto de uma forma inaceitavel pela maioria,sendo mulher sou obrigada a procriar?nao mesmo. monalisa

  15. Simplesmente não conseguem deixar aquilo que aprenderam desde crianças,não conseguem largar as tradições,pois é isso que a sociedade impõe que é certo,e é isso que é o ” confortável ” para as pessoas..elas tem medo da mudança,medo do diferente..o diferente é visto com maus olhos,já que na nossa cultura ( isso sendo herança inclusive do catolicismo,onde literalmente queimavam aqueles com qualquer tipo de idéia subversiva ) o diferente é humilhado,e o padrão é o dito correto.Isso é uma bela técnica usada por quem está no poder não ?!

  16. Me tornei ateu e vegetariano na mesma época, quando comecei a questionar as coisas. Se existe algo mais errado que a religião, é o consumo de carne.

  17. Tenho sérias dificuldades ao explicar esse tipo de coisa para meus familiares e amigos que não entendem minhas atitudes. Parece que as pessoas simplesmente não conseguem aceitar, falam-me que “já está morto mesmo” e dizem que sou louca. Quando descobrem que sou ateia, então, o rótulo logo aparece: radical, extremista, exagerada.
    A minha opinião é que a situação está tão confortável e saborosa comendo carne, que nós “ecochatos” merecemos ser simplesmente ignorados ou discriminados por tentar fazer a nossa parte, e os outros fecham os olhos e continuam enchendo a pança.
    Suas colocações foram excelentes, um texto muito rico.
    Sentirei falta das suas aulas!

  18. Bom seu material, uma ótima introdução ao assunto.
    Sou vegetariano, ateu que acredita na lógica e acrático ainda por cima. Como agrônomo que sou, conheço bem o sistema de produção e as razões ambientais que expuseste são meus principais motivos para defender a causa. Concordo com todos argumentos e considero boa a ideia de aprofundar os assuntos, pois como apresentado é realmente introdutório. Acho apenas que o filme terráqueos é bom para “tocar” mas não é uma referência científica. Usa muitos argumentos errados e inverdades. Acho válido como forma panfletária, para sensibilização inicial apenas, mas não acho nada realista.

    Parabéns pelo site e pelos ótimos posts.
    Tens meu apoio e utilizarei este site como referência.

  19. Oi Gerardo. Tem uma hora que você diz: “Como se percebe, optar por ser vegetariano é uma escolha moral com perdas, que envolve sacrifícios.” Por que você usou ‘moral’ e não ‘ética’. Tenho essa dificuldade de entender os diferentes usos dessas duas palavra, apesar de saber suas diferenças.

    Estou no processo de me tornar vegetariano, mas pra mim somente a questão ética já é o suficiente.

    Abraço.

  20. Não fazia ideia de que assim fosse pelo Brasil. Em Portugal ocorre o contrário. Se dissermos que não somos ateus ocorre descriminação, salvo se descrevermos que acreditamos na lei cósmica, no amor universal ou qualquer crença pessoal indefinida e vaga. Acho que não interessa muito a crença em si, o que continua a definir a aceitação ou confronto é o encaixe na normalidade, tudo o que fuja a isso ou causa uma cómica curiosidade ou um incómodo, um afrontamento. O mesmo se passa com o dizer-se que se é vegetariano. No entanto, tem vindo a mudar por aqui, à medida que começa a tornar-se mais e mais comum. O afrontamento e o incómodo continuam a fazer parte. Penso que por características humanas que já referiste aqui noutras publicações (parabéns!! estou a adorar!). Uma dessas características (entre outras) é esta ideia de que a “razão” é sinónimo da “verdade” e sinónimo de correcto. Segundo que é única e exclusiva. E assim temos esta visão absolutista sobre o conhecimento. Que inviabiliza razões concordantes ainda que aparentemente opostas. Temos dificuldades de encaixar o paradoxo e integrar outras formas de lógica. Continua em voga que se A tem razão B não pode ter razão. E moda mantém-se na lógica clássica e nos meios universitários e de investigação eventualmente ainda encaixam as complementares da lógica clássica. E é isto! Termina aqui, as lógicas anticlássicas já começam a encaixar-se no mundo das bruxas e do sem sentido.
    Não sei como é o mercado no Brasil. Em Portugal inicialmente estive em crer que a alimentação vegetariana seria mais cara, com o tempo apercebi-me que poderia ser até mais económica.desde que aprenda a cozinhar como faziam as nossas avós.Comprar produtos já preparados torna-se mais dispendioso. Se comprarmos os ingredientes avulso, criando os pratos de raiz,o caso muda de figura. Aparte a poupança económica também comecei a considerar o aspecto da qualidade. Prefiro um copo de bom vinho ou dois de mau vinho? Quero uma colher de um bom molho Pesto ou duas de um mau? Assim, se o preço duplica uso menos quantidade ou menos vezes. Assim 10 vezes encantado e bem satisfeito talvez possam ser melhores que 20 vezes desencantado e lixado.

  21. Eu sou de Portugal e nao tinha idea da discriminaçao que pode haver contra os vegetarianos. O único que vejo é algo cultural . Exemplo , levo um amigo a casa do meu avô. Sendo do campo, agricultor e tendo uma visita , a maior honra que pode haver para ele é dar o que de melhor tem na quinta. Isso implica matar alguma galinha , peru , etc. Essa é a sua maneira de dizer “és bem vindo”. O bem mais preciado para o meu avô é um animal que ele cuida diariamente e que decide sacrificar para um convidado. Se o meu amigo diz , nao , eu nao como carne, sou vegetariano, é aos olhos do meu avô uma afronta. Uma desonra. Esse modo de pensar ainda é o predominante em Portugal e creio que com as novas generaçoes irá mudar. Esta é a unica discriminaçao que conheço em relaçao aos vegetarianos. Agora que vivo em Barcelona ..a reacçao normalmente é ” Es vegetariano ? melhor, mais carne para mim.” Eu sou ateu e nunca fui discriminado. Em relacçao á carne nao tenho opiniao formada, estou no proceso. Creio que ao nao ter cambiado os meus habitos alimentares nos ultimos anos seja em si , uma opiniao. Nao gosto demasiado de carne , nenhuma carne , mas como . Também como verdura sem gostar muito. Sei que agora que vou a Portugal minha mae matará uma galinha para a boa vinda.

  22. Parabéns pelo texto! Sou vegano e gostaria de fazer quatro comentários longos ao seu texto pra fomentar mais um pouco a discussão (a maior parte do texto abaixo eu não escrevi agora, faz parte de um trabalho paralelo em minha área (filosofia da mente) que venho fazendo sobre bioética e onto-etologia animal e que ainda não submeti à publicação pq não o terminei; fiz poucas alterações pra se referir ao seu texto, basicamente quase que só o comentário C eu escrevi agora).

    A. Sobre a objeção “o ser humano sempre comeu carne”, acredito que, além da refutação que vc mencionou tendo, suponho, por evidências dados da antropo-paleontologia e anatomia comparada, os quais corroboram sua refutação, é importante ressaltar dois pontos: transformações culturais de hábitos e valores historicamente arraigados não só são (a) eticamente justificáveis quando representam avanços em matérias de justiça, de ética, de diminuição de sofrimento no mundo, de busca por eliminação de práticas humanas gratuitamente violentas (aqui não se incluem ao meu ver esportes de luta) e de auto-preservação sustentável da própria espécie humana, (b) como também são processos objetivamente inerentes aos processos históricos de trocas de gerações, pelas quais as heranças culturais herdadas passam (operando algo próximo de uma causalidade necessária) por modificações geradas pelas criações da geração seguinte. Recentemente cientistas criaram um modelo computacional que representa uma função praticamente constante nos processos de mudanças de paradigmas: se cerca de 10% de uma população compartilha uma crença ou sistemas de valores e hábitos antagônicos aos vigentes e predominantes num dado paradigma atual, a tendência estatística é que tais ideias minoritárias se disseminem e substituam as vigentes, tornando-se majoritárias. É um processo de cunho objetivo, embora sua base operacional seja mobilizada subjetiva e intersubjetivamente pelos indivíduos e suas interações e embora não seja um processo estritamente causal com leis universais e atemporais.

    B. “Na natureza os animais matam-se uns aos outros”. Além da sua refutação que toca na questão das condições degradantes geradas no modo de produção capitalista-pecuarista atual, — o qual, no entanto, vem buscando de modo ainda minoritário e gradualmente introduzir zootécnicas bem-estaristas, já que os pecuaristas vem reconhecendo que o bem-estar animal gera maiores lucros por valorizar a qualidade do produto e diminuir desperdícios –, eu costumo objetar aquela objeção mencionando um outro aspecto que é contrário mesmo à medida de aperfeiçoamento bem-estarista das condições de vida dos animais nas fazendas: o aspecto é deontológico, isto é, o que normativamente se segue do fato ontológico de que humanos possuem ‘moralidade auto-reflexiva’, em contraste à moralidade pré-reflexiva que ao menos certos animais não-humanos possuem. Justifico o uso do conceito de “moralidade pré-reflexiva” com base em estudos recentes em etologia e primatologia que identificaram moralidade em outras espécies, especialmente nos estudos de Frans de Waal. Defendo que a neutralidade ética ou a a-moralidade dos “assassinatos” que ocorrem na cadeia alimentar e que funcionam como um dos mecanismos de controle auto-organizacional do equilíbrio flutuante de um ecossistema, é derivada em parte da ausência, nos animais não-humanos, de uma consciência moral auto-reflexiva. Na medida em que (a) temos uma margem considerável de livre-arbítrio (por mais que recentemente a neurociência, a partir de Libet, e mesmo antes, a psicanálise nos digam que nossa liberdade é altamente limitada e pré-determinada mecânica e subconscientemente), na medida em que (b) temos a consciência de que temos à nossa disposição voluntária a escolha por não fazer mal e por fazer o bem, e na medida em que (c) sabemos que, se diminuirmos práticas desnecessárias que causam dor alheia, não iremos prejudicar nem o funcionamento do ecossistema, nem nossa saúde, pelo contrário, iremos contribuir para preservação e melhoria do meio ambiente e da saúde humana e, ainda, iremos praticar o bem permitindo (que arrogância especista!) a outros seres o desfrute da vida, logo, de (a), (b) e (c) se segue deontologicamente que deveríamos optar por fazer o bem ao deixarmos os animais não humanos viverem uma boa vida, pois isto promove a paz (que é preferível ao mal fútil) e está à disposição de nossa escolha moral auto-reflexiva, fato que não está à disposição voluntária de outras espécies. De nossa moral auto-reflexiva se segue deontologicamente a validade ética do veganismo, sobre a base da ideia de que a mera senciência dos animais-não-humanos (a qual possui forte evidências na literatura neurocientífica, psicológica e etológica) é condição mais que suficiente para a adoção do vegetarianismo.

    C. Aqui gostaria de lhe fazer uma crítica construtiva sobre esse ponto: “vale a pena lembrar que, de acordo com os argumentos que eu usarei abaixo, não é necessário que você seja um vegetariano estrito para diminuir o sofrimento animal ou reduzir a destruição dos ecossistemas. Se você deixar de comer animais uma vez por semana, ou duas, ou se possível uma dieta dia sim/dia não, já é uma grande contribuição. Certamente, contudo, o melhor seria parar definitivamente.” Acredito que, por mais que ao final vc tenha mencionado que é preferível o vegetarianismo ao onivorismo, essa não é uma boa forma de se fomentar o vegetarianismo. Vc deu muita ênfase afirmativa à ideia do onivorismo mitigado e tb À ideia do onivorismo casual. Embora eu concorde que a redução do consumo diminua a pressão sobre os animais e o meio ambiente, por gerar um decréscimo na demanda, e logo diminui um pouco o sofrimento que causamos, ainda assim é preferível, na minha opinião, não dar tanta ênfase afirmativa a essas práticas. Não quero dizer que se deva omitir que tais práticas diminuem o sofrimento. Apenas é preferível mencionar sem ênfase afirmativa que tais práticas podem diminuir o sofrimento animal, mas ainda sim elas continuarão a sustentar uma cultura de sofrimento animal. A ênfase deveria estar nos seus aspectos negativos, o que é uma realidade. Dar ênfase afirmativa a elas pode influenciar muitos a manterem suas práticas e não desejarem mudá-las por se sentirem menos culpados ao adotarem o bem-estarismo onívoro. Por outro lado, elas tb deveriam se preocupar em escolher carnes e produtos animais derivados de produções bem-estaristas, que utilizam métodos ditos incoerentemente “humanitários”, que geralmente são as carnes e leites orgânicos e os ovos caipiras, os quais, no entanto, ainda sim produzem uma grau alto de sofrimento. Mas entendo que, se a entendi, sua intenção é não ser um radical hostil aos onívoros, o que certamente aumentaria a resistência destes e travaria o debate improdutivo.

    D. Por fim, se me permite, gostaria de te dar uma sugestão: que tal tratar também de um assunto que dificilmente as pessoas onívoras têm conhecimento pleno e detalhado: testes científico-industriais em animais não-humanos (testes absurdos e desnecessários pra produção de cosméticos, desinfetantes etc) e experimentos científicos em animais não-humanos, Neste último aspecto não tenho plena certeza de que são desnecessários, embora + – 90% dos experimentos em animais não são reproduzíveis em humanos e muitos cientistas (alguns com base em avanços recentes da genética) vem criticando os modelos animais como modelos confiáveis (http://www.opposingviews.com/i/society/animal-rights/complexity-genetic-composition ; http://www.afma-curedisease.org/index.html). Por outro lado, muitos avanços médicos foram produzidos com o uso de modelos animais. Pra mim, ainda é um assunto espinhoso que ainda estou estudando. Me questiono: será que tais experimentos põem um tanto em cheque a universalidade da proposta anti-especista vegana, isto é, será que parecem impor um certo nível mínimo de antropocentrismo, dada a gravidade do sofrimento que as doenças humanas geram aos doentes e seus familiares?

    Uma outra sugestão, se me permite: que tal abordar o sofrimento gerado pela indústria leiteira? Dificilmente as pessoas onívoras e mesmo muitas das vegetarianas sabem o que se passa na industria do leite.

    abraço, parabéns de novo pelo texto
    Johnny

  23. Olá,
    Sou bióloga e já comentei em outro post há muito tempo atrás sobre assunto mais técnico-científico, mas esse ético – filosófico é um dos meus preferidos na atualidade. Nunca em minha vida senti que o momento urge e que o mundo está à beira de uma catástrofe. Com a tecnologia da informação estamos mais cientes de tudo que acontece no mundo, seja bom ou ruim, praticamente em tempo real (seja lá o que isso signifique). Tudo acontece de forma muito rápida, mas ao mesmo tempo tudo muda de forma muito rápida. Eu, uma atéia, vegetariana e Asperger (para quem não sabe, um autista disfarçado), tenho tido ultimamente uma necessidade urgentíssima de procurar minha “tribo”, gente que não me olhe estranho só porque optei pelas duas primeiras e porque já nasci com a última. Já não sou mais jovem e penso que não tenho mais tempo para discutir o porque de eu ser assim. Quero simplesmente conviver com pessoas parecidas ou que apreciem a diferença!
    “Procura-se ateu ou atéia (à toa, só se for auto – suficiente) para procurar e dividir moradia em cidade de porte pequeno a médio mas funcional e onde se possa viver andando a pé. Como vai pagar as contas não me importa, só não pode ser de maneira ilícita (fugir da polícia a pé não dá). Sou vegetariana mas ainda não consegui retirar produto animal da alimentação do meu cachorro (suspiros)”

  24. Sou carnívoro e concordo com seus argumentos e te admiro. Só não consigo engolir alguns veganos que fazem de tudo para “converter” os outros, até divulgam informações totalmente não científicas e mentirosas para convencer os outros. Tem muita página no Facebook assim, infelizmente.

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