O prazer na estampagem sexual

Prolegômeno: creio ser prudente avisar antecipadamente que essa nota, um pouco mais extensa que de costume, é um ensaio: apesar dos primeiros parágrafos conterem concepções já bem estabelecidas da etologia, o argumento final é apenas uma concepção particular e um exercício filosófico, e não há referências científicas que o corroborem.

O processo evolutivo modula não apenas caracteres morfológicos, como é comum se pensar, mas também outros atributos dos organismos animais que ocasionalmente são esquecidos na descrição da constituição fenotípica de um indivíduo ou espécie, como é o caso dos caracteres comportamentais.  Devendo ser compreendido não como algo separado da estrutura biológica (como se fora uma anima inserida em algum momento da conceição) mas sim como algo intrinsecamente ligado ao animal como um todo, o comportamento é — como todo o resto — fundamental para o ajustamento (fitness) do indivíduo em seu meio natural de adaptação (isto é, o ambiente no qual o comportamento faz algum sentido, traz algum benefício, aumenta sua freqüência nas gerações futuras e é, evolutivamente, fixado e continuamente refinado).

Denominamos comportamento inato ou comportamento geneticamente modulado a classe de comportamentos evolutivamente modulados e que não dependem, de maneira geral, de um aprendizado do organismo em seu meio de adaptação. Neurologicamente são programas motores, que variam desde padrões motores fixos até planos hierárquicos bastante complexos. Essas estruturas neurológicas evoluíram juntamente com a série de órgãos sensoriais a elas ligados e com o conjunto de estruturas motoras por elas controladas, sem as quais, logicamente, tais comportamentos não poderiam ser efetuados. Os órgãos sensoriais captam estímulos de diversas classes (mecanorreceptores, fotorreceptores, quimiorreceptores…) e transformam-nos em potenciais de ação que são analisados pelo sistema nervoso do organismo. Lá, mecanismos liberadores inatos trabalham para reconhecer alguma característica particular do estímulo (denominada de liberador) e, agindo portanto como um filtro, ativar um certo programa motor. Todos esses componentes direta ou indiretamente comportamentais (os órgãos sensoriais, os mecanismos liberadores inatos, os programas motores…) são modulados evolutivamente e tornam o comportamento de um dado animal, sempre considerando o meio no qual tal adaptação ocorreu, benéfico em algum aspecto de sua vida, aumentando de alguma forma seu ajustamento.

Uma interpretação equivocada que comumente surge após essa (breve) explanação sobre a base da etologia tradicional é a de que definimos aqui o comportamento como uma série de reflexos. Nada, contudo, mais diametralmente oposto. Nesses sistemas comportamentais inatos, a presença de estruturas neurológicas que analisam as informações e encontram nessas informações padrões particulares, evolutivamente descritos (os liberadores), torna toda “estrutura” comportamental bem diferente de uma cadeia de reflexos. Além disso, os programas motores podem não depender de um liberador específico para serem ativados; ou podem ser ativados de maneira “incorreta” por algo que imita o liberador, ou que o ultrapassa como um estímulo “supernormal”; ou podem ser ativados por outros programas motores; ou podem agir em conjunto num comportamento corrigido para uma meta; ou ainda fazer parte de um plano comportamental hierárquico. Um animal pode, portanto, exibir um comportamento sempre que encontrar um determinado liberador, ou apenas ao encontrar certo liberador em momentos ou freqüências específicas, ou em certos momentos do dia, ou mesmo apenas quando outro comportamento se encontra ativado.

Uma representação artística do encéfalo humano (Fonte: Science Photo Library)

Eis aqui, portanto, um aspecto interessante de um grande número de comportamentos distintos, encontrados desde os animais sem sistema nervoso central até os primatas, como o ser humano: um comportamento, explicado em última análise por um programa motor, não precisa ser recompensado. Não há, evolutivamente, por que “pagar” por algo que já está realizado, ou que se realizará de qualquer forma: se o organismo realizou o comportamento no momento adequado, e se essa realização de alguma forma melhora seu ajustamento em seu ambiente de adaptação natural, o comportamento como um todo — e isso inclui seus mecanismos liberadores inatos ou quaisquer outros fatores responsáveis pela sua ativação — será selecionado e terá sua freqüência aumentada ao longo das gerações, sendo deflagrado nas mesmas ocasiões em que foi deflagrado nas primeiras gerações, nas quais sua seleção se iniciou. O que não é diferente de outros sistemas orgânicos. Do mesmo modo que a “função” de um determinado tecido (e entenda-se aqui por função a conseqüência da atividade daquele tecido que permitiu sua manutenção através da seleção) é capaz de evolutivamente fixá-lo na constituição de uma determinada espécie, a “função” de um determinado comportamento é suficiente para explicar sua manutenção evolutiva. Podemos dar um exemplo bem simples disso, já no ser humano: o comportamento respiratório, controlado pelos centros respiratórios da medula oblonga. Uma inspiração pode até ser prazerosa, principalmente após um período de apnéia forçada, propositalmente ou não: poderíamos até falar aqui de prazer por alívio, pela eliminação de um desconforto (o aumento na PCO2); contudo, não se alega que haja prazer consciente em cada inspiração, nem que haja prazer inconsciente quando o processo é mecânico e despercebido. Ou seja, não se alega que o prazer de um movimento ventilatório estimula o animal (aqui, o homem) a repeti-lo, muito menos que só respiremos por que sentimos prazer ou que o prazer seja uma recompensa para os movimentos ventilatórios.

Em animais estruturalmente simples, ou melhor, em comportamentos simples, uma vez que tais comportamentos podem ser encontrados em animais complexos, a associação de uma recompensa à execução do comportamento não é uma necessidade. Um cilióforo (protozoário, organismo heterótrofo unicelular) irá fagocitar sua presa quando detectá-la e reconhecê-la através de certos receptores de membrana. Aqui, escolhi um protozoário exatamente pelo fato deste organismo unicelular ser desprovido de sistema nervoso, e não fazer sentido algum falarmos aqui de recompensa ou de prazer no sentido neurológico desses termos. Contudo, o cilióforo se alimenta regularmente, caso haja recursos no meio. Os quimiorreceptores de membrana, que são praticamente a única estrutura sensorial em organismos unicelulares e estão entre os mais importantes exterorreceptores entre os animais comportamentalmente mais simples, estão claramente associados a uma análise dos recursos alimentares. Por se tratar de quimiorrecepção, a análise de tais recursos depende de que a fonte do estímulo entre em contato direto com o receptor, isto é, a gustação depende de um contato direto com o material alimentar.

Em animais sensorialmente mais complexos, há uma série de outros sentidos que entram em ação muito antes da gustação, considerando aqui inicialmente os comportamentos alimentares apenas. Nós, seres humanos, presos em nosso umwelt, pensamos inicialmente na visão: suponha um organismo que nós rotulemos equivocadamente como comportamentalmente simples, mas dotado de grande número de programas motores, com uma aparelhagem sensorial complexa… um inseto, por exemplo. Nesse organismo, um mapa mental modesto pode indicar a aparência geral de uma fonte alimentar, como uma determinada flor, desde o seu aspecto mais geral até os detalhes da padronagem, das cores e dos odores, detalhes que podem funcionar como liberadores. Localizando seu alvo à distância, o animal aproxima-se dele, obtendo diferentes informações conforme a distância torna-se menor, até que finalmente obtém estímulos gustativos. Num sistema comportamental como esse, a gustação é necessária como a última triagem, seus estímulos são o último liberador numa seqüência comportamental pré-estabelecida: o animal só irá se aproximar da fonte alimentar se, em primeiro lugar, ele reconhecê-la visualmente como tal, à distância; foi assim que ele evoluiu seus sistemas comportamentais e não faz sentido, em seu meio de adaptação, que ele saia testando todas as superfícies existentes com seus órgãos gustativos.

Porém, um grande número de animais faz testes em seu meio, e aprende. Organismos aparentemente simples como a abelha Apis mellifera têm um conjunto de comportamentos tão extraordinariamente complexo que mal se pode conceber que esse conjunto seja responsabilidade apenas de seu diminuto sistema nervoso. Os órgãos quimiorrecetores, originalmente evoluídos para detectar informações a respeito da natureza química da fonte nutritiva, podem transmitir impulsos a sistemas neurológicos que criam uma classe particular de sensações, de estados mentais internos, que denominamos prazer. A percepção de uma característica química específica na fonte nutritiva, ao deflagrar a sensação de prazer, informa aos sistemas comportamentais do animal a natureza altamente desejável dessa fonte. Assim, encontros casuais com fontes nutritivas inesperadas ou resultantes de uma procura sistemática permitem um aprendizado programado, em que o animal rapidamente assimila as características físico-químicas (cor, forma, odor, posição…) da nova fonte nutricional e incorpora essas características a seus mapas mentais aprendidos. Percebe-se claramente a imensa vantagem de plasticidade fisiológica e ecológica dessa categoria de comportamentos: Apesar de mapas mentais inatos das fontes alimentares ainda serem encontrados e serem evolutivamente preservados em diversos grupos animais com sistemas nervosos “complexos”, novos mapas mentais podem ser adequadamente construídos, pois há mecanismos inatos de aprendizagem que permitem a descoberta de novas fontes alimentares e a rápida modulação do comportamento no meio de adaptação do animal. Essas novas fontes podem ser ensinadas culturalmente em diversos grupos animais nos quais há contato social suficiente para tal, especialmente em aves e mamíferos, e o prazer obtido pode ser um forte reforço para o estabelecimento do aprendizado cultural.

Passamos portanto de um sistema comportamental onde não há necessidade de reforço para um sistema comportamental onde o reforço pelo prazer é justificado evolutivamente, em parte, pela plasticidade comportamental por ele propiciada, ocasionando um maior ajustamento do organismo que exibe o comportamento, em seu meio de adaptação. O “problema” da origem evolutiva do prazer não é aqui abordado, nem cabe aqui entender se se trata de causa ou efeito: ou seja, se com esse papel no aprendizado o prazer foi evolutivamente fixado nas populações animais ou se, já previamente existente, foi recrutado numa exaptação para esse novo papel; contudo, associamos o prazer ao aprendizado e à plástica comportamental; à possibilidade de mapas mentais inatos mais “frouxos” e mais susceptíveis de serem completados por informações coletadas no ambiente.

Esse papel do prazer no comportamento modulado pelo ambiente pode também ocorrer exatamente naquela classe de comportamentos às quais o prazer é mais imediatamente associado, isto é, os comportamentos sexuais. Não pode passar despercebido que, mais que os comportamentos alimentares, os comportamentos sexuais levam os organismos que nele se engajam a uma sensação de prazer superada talvez apenas pela aplicação de certos psicotrópicos ou pela estimulação elétrica direta de certos centros nervosos, situações que certamente não ocorrem no meio de adaptação do dado animal. Por que o prazer deflagrado na atividade sexual é tão grande? Por que a excitação sexual, na maioria dos mamíferos, depende de sensações propiciadas por receptores fásicos dos órgãos sexuais? Por que tal comportamento requer uma recompensa? Deve-se lembrar que nem o prazer nem qualquer outra recompensa são necessários para a manutenção de um padrão comportamental, nem mesmo para um padrão comportamental tão importante como o que leva à fecundação e à reprodução sexual. Contudo, tal recompensa existe, e a grande maioria dos mamíferos — para não alongar a discussão a outros grupos animais — exibe uma série de comportamentos durante a cópula que, por homologia com nossos próprios estados mentais internos, nos permitem concluir que em seus estados mentais internos há prazer.

Nos primeiros momentos da evolução animal, mapas mentais precisos poderiam conter as informações necessárias para que um determinado organismo pudesse encontrar seu parceiro sexual, logicamente identificando-o, primeiramente, como de sua mesma espécie e, em seguida, como um parceiro potencial (contudo, deve-se já aqui perceber que mesmo em espécies comportamentalmente “simples” o encontro e a identificação de um parceiro sexual dependem da ativação seqüencial de uma série de mecanismos liberadores inatos, a partir de liberadores bem específicos, em ambos os indivíduos, de maneira a aumentar o grau de segurança da identificação). Esses mapas mentais, porém, não podem ser mantidos em animais com um sistema comportamental complexo, pelo menos não para uma grande classe de comportamentos. Por exemplo, pode-se até supor (apenas para o prosseguimento da argumentação) que um filhote primata (humano ou não humano) tenha um mapa mental para identificar outro organismo de sua mesma espécie; mas não há como supor que o animal já nasça com um mapa mental capaz de identificar sua mãe. Certamente, esse mapa mental deve ser construído, mesmo que seu aprendizado seja geneticamente programado. Nesse bem conhecido cenário de estampagem materno-filial (lembrando que o filhote estampa a mãe e que também a mãe estampa o filhote), não há necessidade da participação direta do prazer, já que certos liberadores na mãe (e no filhote) serão suficientes para permitir o processo de aprendizagem.

Comparando com os comportamentos sexuais, a identificação do parceiro poderia depender apenas de certos liberadores específicos. O próprio ato sexual em si, entendido como um padrão motor, poderia ocorrer e ser levado perfeitamente a termo sem a deflagração de estados mentais internos de prazer.

O problema da deflagração de estados mentais internos de prazer (e, mais uma vez, não se trata aqui da origem evolutiva do prazer) em comportamentos sexuais tentará ser elucidado por uma de suas conseqüências, tomando-se por analogia a relação do prazer com os comportamentos nutricionais: a plasticidade dos parceiros (objetos) sexuais.

A ocorrência de prazer nas relações sexuais e a relação do prazer com toda a classe de comportamentos sexuais pode evidenciar a plasticidade da natureza do objeto para o qual tais práticas são dirigidas. Assim como o prazer relacionado a uma nova fonte alimentar inesperada é um fator que estimula o animal a incluir essa nova fonte no seu repertório mental de fontes possíveis, o prazer pode da mesma forma ser encarado como um reforço que permite uma plasticidade maior dos objetos sexuais. Mas, em primeiro lugar, por que tal comportamento necessita de uma plasticidade alta? Como já vimos, na verdade ele não necessita. O que aqui parece acontecer é que o prazer possuía uma função primária, original; em que momento surgiu o prazer associado ao sexo, se é que surgiu apenas uma vez, e com que função primária surgiu, é assunto para discussão ulterior. O fato, contudo, é que uma vez estabelecido e positivamente associado à atividade sexual em animais com sistemas comportamentais complexos, como os mamíferos, não se pode deixar de visualizar a grande plasticidade comportamental que permitiu.

À primeira vista, poder-se-ia pensar que a estampagem sexual, ocorrendo do mesmo modo que a estampagem materno-filial, não necessita do prazer para sua execução: isto é, o organismo estampa seu “modelo” de parceiro sexual logicamente antes de qualquer contato sexual e, desta forma, o fenômeno não poderia ser influenciado pela capacidade de sentir prazer, como é o que parece acontecer em algumas aves. Contudo, o que parece ser verdade para algumas espécies de aves não precisa ser necessariamente verdade para todas, nem para outros grupos filogeneticamente distanciados. Assim, em mamíferos, temos filhotes exibindo comportamentos sexuais desde cedo, muito antes que a atividade sexual completa possa se estabelecer. Filhotes humanos executam fricções masturbatórias na mais tenra idade, e não é desconhecida sua atividade sexual parcial no início da infância. Que esses componentes da atividade sexual sejam exibidos precocemente é prova suficiente de que boa parte dos comportamentos sexuais é inata, ou seja, geneticamente programada.  Mas a determinação do objeto sexual, para o qual esses comportamentos se dirigem, não é inata. Logo, a estampagem sexual não precisa ocorre exatamente do mesmo modo e no mesmo modelo geral da estampagem materno-filial (onde não há participação direta de prazer), muito menos em seu mesmo período.

Executando parcialmente suas atividades sexuais o animal vai, em um período crítico da vida, realizando sua estampagem sexual e assim definindo o “modelo” de seu parceiro sexual, dali em diante; Em espécies onde a estampagem sexual é um fenômeno tão precoce que não poderia depender do prazer, a própria associação do prazer à atividade sexual poderia ser questionada. Curiosamente, as aves, grupo no qual a estampagem sexual parece ser precoce e relativamente irreversível, executam uma atividade sexual bem diferente dos mamíferos, onde não há pênis, não há fricção e que é bem mais rápida. Certamente, a ocorrência do prazer não é necessária para a plasticidade dos objetos sexuais que um animal pode exibir: a estampagem é, por excelência, um fenômeno que permite tal plasticidade, haja ou não prazer envolvido. Contudo, se a ausência de prazer não assegura a falta de plasticidade, a sua ocorrência favorece a plasticidade da natureza dos objetos sexuais. Num ambiente de adaptação essa plasticidade raramente é prejudicial, pois as “distorções” possíveis, isto é, os casos em que o animal tem como objeto sexual algo completamente inadequado do ponto de vista morfológico, ecológico ou evolutivo, são bastante incomuns.

O que se quer aqui defender é que, do ponto de vista etológico, um animal não precisa nascer com um mapa mental que identifique seu parceiro sexual; além disso, que a ocorrência de prazer associado à atividade sexual torna isso mais improvável; e que um grande número de mamíferos, incluindo o ser humano, nasce sem uma identificação muito forte de seu objeto sexual e que, durante seu desenvolvimento, vai formulando-o e reforçando-o. Para esses mamíferos complexos não há, portanto, o objeto sexual “correto” inatamente determinado; ao contrário, esse objeto deverá ser lentamente construído, durante o desenvolvimento do indivíduo. O fato tão conhecido de que um cão ou um gato domésticos criados na completa ausência de seus congêneres tentem cruzar com outro organismo de sua mesma espécie, tão logo o encontrem pela primeira vez, não invalida o que foi acima dito, a não ser que eles sempre executassem tais tentativas apenas com outros organismos de sua mesma espécie, e do sexo oposto. Em seres humanos o processo não precisa e nem deveria ser diferente.

5 comentários sobre “O prazer na estampagem sexual

  1. Sou leitor do ‘Biologia Evolutiva’ há um bom tempo. Faço questão de passar hoje por aqui e deixar um recado de “parabéns!”.
    Sou um biólogo que ama a Biologia. E adoro ver qualquer publicação que diz respeito à essa área maravilhosa. Parabéns pelos posts!

  2. Gerardo,

    adorei o post! Diga-me: até que ponto essa plasticidade para a escolha de parceiros sexuais, em mamíferos, é vantajosa? Esse mecanismo que vc propôs daria uma margem maior a comportamentos homossexuais que poderiam reduzir a aptidão de populações pequenas, por exemplo. Não acha? Que pressões teriam favorecido (se é que favoreceram) comportamentos de seleção de parceiros baseados em reforçadores por prazer?

    (Não tenho preconceito algum contra homossexual. Esta é uma reflexão em torno de comportamentos e suas implicações evolutivas)

    Abração!

    • Rafael,
      Eu ainda não tenho bem clara uma opinião sobre as vantagens ou desvantagens da platicidade de parceiros sexuais. Como procuro deixar bem claro no ensaio, estou com mais dúvidas que respostas em relação a esse tema. Mas acho que a gente pode chegar a algumas respostas pelo menos adequadas:
      Em primeiro lugar, se é que existe essa plasticidade sexual que eu supus, e se é que essa plasticidade é responsável pela homossexualismodade, é de se perguntar até que ponto uma certa porcentagem de homossexualismodade gerada seria uma desvantagem seletiva, quando comparada com as vantagens seletivas da plasticidade sexual. Assim, os casos de homossexualismodade e de outras estampagens sexuais não-normais (como o fetichismo) não seriam importantes o bastante para seletivamente desfavorecer a plasticidade.
      Em segundo lugar, há uma grande série de estudos em antropologia e etologia que propõem uma série de vantagens para grupos familiares em que há algum membro homossexual, por haver maior disponibilidade de recursos para os casais que se reproduzem. Essa é uma hipótese interessante, que lembra um pouco o que ocorre numa alcatéia, onde as lobas não-alfa cuidam dos filhotes da loba alfa.
      abraço.

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