Entre dois mundos

Recentemente um colega veio, pela internet, pedir a minha opinião a respeito de uma questão de vestibular. Segundo ele, os professores estavam se digladiando, alguns a favor do gabarito oficial, outros contra. Quando ele me mandou a questão reconheci-a imediatamente. Eu já havia visto a questão, e já sabia que ela possuía duas opções corretas (coisa que, dependendo do concurso, faz com que a questão seja anulada). Dei minha opinião, com a qual ele concordou, mas me disse que a polêmica continuava. Felizmente, estou a três mil quilômetros dessa briga… Continuar lendo

Cladogramas em zoom

Todas as tentativas de matar e enterrar com umas boas pás de cal a scala naturae são bem vindas. Como já reiterei diversas vezes neste blog, a ascensão da sistemática filogenética parece ser o fator fundamental para uma mudança de paradigma generalizada e permanente, uma vez que, infelizmente, a biologia evolutiva por si só parecia incapaz de gerar essa mudança de percepção. Ou, para sermos mais justos, a biologia evolutiva não seria tão capaz de gerar essa mudança quanto a sistemática filogenética (em tempo, biologia evolutiva e sistemática filogenética não são a mesma coisa). Continuar lendo

Parecido e aparentado

Há certos pares de palavras que possuem a capacidade de nos confundir, não apenas por serem semelhantes morfologicamente, mas por terem significados quase iguais. Quase… Às vezes, as diferenças mais sutis são as mais importantes. Há vários exemplos desses pares, mas o fito desta presente e breve nota é discutir um que possui grande importância para a biologia evolutiva e para a sistemática filogenética. Trata-se do par parecido e aparentado. Continuar lendo

Homologia: algumas palavras de advertência

Esta é a continuação de uma nota anterior, na qual eu me propus discutir, de maneira breve e resumida, alguns erros conceituais comuns que têm surgido na atual e louvável tentativa de trazer alguns paradigmas da sistemática filogenética para o ensino médio (e, em alguns casos onde a sistemática filogenética é desconhecida, para o ensino superior). Naquela nota eu havia discutido o conceito de Apomorfia; nesta, me proponho a falar do conceito de homologia. Continuar lendo

Apomorfia: algumas palavras de advertência

Eu vejo com bons olhos o fato de a sistemática filogenética estar se tornando cada vez mais comum nos cursos universitários e mesmo no ensino médio. Quem sabe, talvez a sistemática filogenética venha nos ajudar a eliminar da biologia evolutiva essa concepção malfazeja que chamada de scala naturae, que ainda é espantosamente comum (explícita ou tacitamente) no discurso dos professores, na abordagem dos livros didáticos e na maneira como a mídia em geral compreende a evolução na Terra. Continuar lendo

Cladogramas e o ensino da sistemática

Nós, professores, costumamos nos enganar sobre como os alunos compreenderão um conceito ou um corpo teórico que, de antemão, classificamos como fácil ou como difícil. Eu, pelo menos, costumo quebrar a cara com certa freqüência. Às vezes discorro rápida e até displicentemente sobre determinado assunto, certo que todos estão entendendo tudo, dada a facilidade daquele conceito, até perceber que ninguém está entendendo quase nada, e ao que eu achava facílimo a cognição da garotada é completamente refratária. Outras vezes se dá o contrário, o diametralmente oposto: preparo-me para quebrar uma pedreira, imagino gastar 30 ou 40 minutos para esclarecer um conceito, quando na prática em cinco minutos eles entendem o que você planejou explicar. Continuar lendo